O chefe da Mercedes, Toto Wolff, defendeu o retorno dos motores V8 à Fórmula 1 no próximo ciclo de regulamentos e comparou o som das atuais unidades de potência a um “alarme de incêndio”. Em conversas com o presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, o dirigente projeta uma arquitetura com maior participação do motor a combustão, bateria menor e cerca de 1.000 cv como alternativa à atual era turbo-híbrida.
A Fórmula 1 utiliza unidades V6 turbo-híbridas desde 2014, mas o regulamento de 2026 ampliou a relevância do componente elétrico. A complexidade do sistema e os efeitos da gestão de energia sobre a pilotagem abriram espaço para uma discussão antecipada sobre o futuro técnico da categoria.
“Os motores atuais são extremamente complexos. Alguns gostam das corridas de domingo e das ultrapassagens, outros não, mas os pilotos que se adaptam melhor vencem. Contudo, não suporto ouvir os carros acelerando no grid por dez segundos antes da largada; o som atual lembra um alarme de incêndio”, disse Wolff ao RacingNews365.
Wolff projeta V8 com eletrificação reduzida
Na visão do dirigente da Mercedes, o próximo conjunto de regras deve devolver protagonismo ao motor a combustão, sem eliminar por completo o sistema elétrico. A proposta discutida para o médio e longo prazo prevê uma divisão próxima de 80% de potência térmica e 20% elétrica.
“Ben Sulayem quer um V8 de oito cilindros, que tenha um som excelente, e uma bateria de menor capacidade. Acredito que ficaria em torno de 80:20, com uma potência total de 1.000 cavalos”, projetou Wolff.
O chefe da Mercedes, no entanto, não cravou se o eventual V8 seria aspirado ou turboalimentado. A definição da arquitetura ainda dependerá de negociações entre FIA, Fórmula 1 e fabricantes, especialmente em torno de custos, peso, relevância tecnológica e sustentabilidade.
V8 deixou a Fórmula 1 após 2013
A F1 utilizou motores V8 aspirados de 2,4 litros entre 2006 e 2013. A partir de 2014, a categoria adotou o V6 turbo-híbrido de 1,6 litro, com sistemas de recuperação de energia, em uma mudança que aumentou a eficiência, mas também trouxe maior complexidade técnica e reduziu o apelo sonoro dos carros.
A discussão sobre uma volta do V8 ganhou força após Ben Sulayem defender uma unidade mais simples, leve e com menor eletrificação para o futuro. O presidente da FIA indicou que um novo ciclo poderia chegar em 2030 ou, no limite, em 2031, embora a configuração final ainda não esteja formalmente definida.
Fórmula 1 altera equilíbrio de potência em 2027
Antes de qualquer mudança estrutural mais profunda, a F1 já prevê ajustes nas unidades de potência para 2027 e 2028. O regulamento de 2026 foi criado com uma repartição próxima de 50:50 entre potência do motor a combustão e elétrica, mas a categoria deve migrar para 60:40, favorecendo a parte térmica.
A alteração será feita por meio do aumento da vazão de combustível. Isso eleva a potência entregue pelo motor a combustão, mas exige adaptações em hardware e no projeto das unidades de potência.
“Aumentando o fluxo de combustível, teremos mais potência, e isso exige adaptação de alguns componentes. Queríamos 50 kW a mais no motor já no próximo ano, mas a Ferrari vetou. Então teremos uma etapa de 20 kW e, em 2028, outra de 50 kW”, explicou Wolff.
Debate envolve custo, som e relevância técnica
A defesa do V8 reúne argumentos distintos no paddock. Para uma parte dos envolvidos, o formato pode reduzir a complexidade e os custos de desenvolvimento, além de recuperar uma assinatura sonora associada à identidade histórica da Fórmula 1.
Por outro lado, o nível de eletrificação permanece um ponto central. A categoria pretende preservar os combustíveis sustentáveis, enquanto fabricantes avaliam como equilibrar desempenho, eficiência e conexão com a indústria automotiva. Portanto, o retorno dos V8 ainda é uma direção em discussão, e não uma decisão técnica finalizada.
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