A Honda estabeleceu como meta voltar a figurar entre os principais fornecedores de unidades de potência da Fórmula 1 até o fim de 2027 ou o início de 2028, em parceria com a Aston Martin. Após um começo de 2026 abaixo das expectativas, a fabricante japonesa prepara uma atualização focada no motor a combustão para o GP da Holanda, em Zandvoort, e vê a próxima temporada como decisiva para reduzir a distância para os concorrentes.
O plano foi detalhado por Shintaro Orihara, gerente-geral de pista e engenheiro-chefe da Honda Racing Corporation (HRC) na F1. Segundo o dirigente, a prioridade é elevar a eficiência da combustão, ao mesmo tempo em que a montadora trabalha com a Aston Martin para integrar de forma mais eficiente a unidade de potência ao chassi liderado tecnicamente por Adrian Newey.
“Precisamos melhorar ainda mais nosso desempenho de combustão. Continuaremos concentrados em melhorar o motor a combustão e queremos dar passos mais significativos em 2027. Esse é o nosso principal foco”, afirmou Orihara em entrevista ao portal Motorsport.com.
Honda estreia atualização de motor em Zandvoort
A Honda levará ao GP da Holanda sua primeira atualização de unidade de potência da temporada. O pacote, autorizado pelo sistema ADUO, é dedicado exclusivamente ao motor de combustão interna e busca recolocar a marca no bloco competitivo em termos de potência.
A expectativa, porém, não é eliminar de imediato toda a diferença acumulada no início da nova era. A HRC reconhece que serão necessárias outras evoluções para alcançar os fabricantes de referência, especialmente porque o déficit de desempenho do motor foi identificado como a principal fragilidade do projeto em 2026.
“O nosso desempenho de motor está claramente abaixo dos outros fabricantes. O ponto mais importante agora é melhorar o desempenho do motor, porque a diferença é bastante grande”, explicou Orihara.
Integração com Aston Martin é prioridade para 2027
Além do ganho de potência, a Honda vê 2027 como uma oportunidade para aprofundar a integração entre motor e chassi. O primeiro ano de trabalho conjunto trouxe experiência operacional às duas partes, depois de um período inicial marcado por dificuldades de adaptação e desafios técnicos.
A chegada de Newey amplia o peso dessa colaboração. Com um novo projeto de chassi em desenvolvimento, a Aston Martin e a Honda trabalham para otimizar embalagem, refrigeração, entrega de potência e comportamento dinâmico do carro.
“Estamos mantendo um diálogo próximo com a Aston Martin para integrar melhor nossa unidade de potência ao novo chassi deles. Agora estamos focados em desenvolver um bom motor para 2027 e trabalhando em estreita colaboração nos bastidores”, disse.
Meta é se aproximar da liderança em 2027
A Honda adota uma projeção cautelosa para o início de 2027. Orihara admite que a marca provavelmente ainda não terá a melhor unidade de potência do grid na abertura do campeonato, mas espera reduzir de forma relevante a desvantagem para os rivais antes de atacar o topo ao longo da temporada.
“É difícil definir um prazo exato na F1, porque o desempenho é sempre relativo ao de outro concorrente. No início de 2027, talvez ainda não tenhamos a melhor unidade de potência, mas estaremos mais próximos do principal concorrente. Depois, vamos continuar forçando para sermos o principal competidor, espero, em 2027 ou 2028”, projetou.
O objetivo remete à trajetória recente da montadora. A parceria anterior da Honda com a Red Bull também enfrentou obstáculos no início, mas evoluiu até render títulos mundiais com Max Verstappen. O cenário atual, porém, parte de uma base diferente, com a Aston Martin ainda em processo de reconstrução técnica.
Confiabilidade será desafio com mudança no fluxo de combustível
A recuperação da Honda não dependerá apenas de desempenho bruto. Para 2027, a Fórmula 1 prevê mudanças no fluxo de combustível, dentro de uma transição na divisão de potência entre o motor a combustão e o sistema elétrico.
A projeção é de uma relação de 58% para o motor a combustão e 42% para a parte elétrica em 2027, antes de avançar para 60/40 em 2028. O aumento da vazão de combustível exigirá mais da confiabilidade dos componentes, justamente em um período de desenvolvimento acelerado.
“O ponto mais desafiador provavelmente será a confiabilidade. Estamos melhorando a combustão e, além disso, aumentando a vazão de combustível. As exigências em termos de confiabilidade serão bastante grandes”, alertou Orihara.
A Honda, contudo, avalia positivamente a decisão da FIA de repartir a mudança em duas etapas. A leitura interna é que a progressão reduz o risco de uma escalada abrupta de potência comprometer a durabilidade das unidades de potência e o equilíbrio técnico do campeonato.
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