A FIA reverteu nesta sexta-feira (12) a punição aplicada a Pierre Gasly no GP de Mônaco de 2026, devolvendo ao piloto da Alpine o terceiro lugar na corrida após revisão solicitada pela equipe. A decisão foi tomada porque a escuderia apresentou novos elementos técnicos que levaram a federação a concluir que o francês não excedeu o limite de velocidade na saída dos boxes, motivo original da penalidade.
Alpine obtém revisão e muda resultado da corrida
Gasly havia cruzado a linha de chegada em terceiro, mas caiu para sétimo depois de receber duas punições por suposto excesso de velocidade no pit lane.
Após a prova, a Alpine entrou com pedido formal de revisão. A FIA aceitou reavaliar o caso ao entender que havia novas evidências relevantes para reabrir a investigação.
Com o recurso aceito e a punição anulada, o francês voltou oficialmente ao pódio de Monte Carlo, em um desfecho raro para a categoria.
FIA encontrou erro no cálculo da distância
No documento oficial, a FIA explicou que a origem do problema estava na medição usada pelo sistema de velocidade entre os loops do pit lane.
“O relatório do Cronometrista Oficial afirma posteriormente que, utilizando varreduras LIDAR (Light Detection and Ranging), presumivelmente realizadas após o evento, verificou-se que a menor distância entre o primeiro e o segundo loop daquela zona era de apenas 2.615 cm, ou seja, 77 cm menor do que a distância utilizada na configuração do sistema para calcular a velocidade dos carros naquela área do pit lane”, diz o documento oficial da FIA.
Na sequência, a federação destacou outro ponto relevante da análise.
“Contudo, essa distância não leva em consideração a largura do carro, o que aumentaria ligeiramente a menor distância efetivamente possível de ser percorrida”, acrescenta o documento.
Cálculo revisto inocentou Gasly
A FIA informou ainda que não considerou a medição apresentada pela própria Alpine, por enxergar inconsistências no equipamento usado pela equipe. Mesmo assim, refez os cálculos com base nos dados oficiais e concluiu que Gasly estava dentro do limite regulamentar.
Decisão recoloca Gasly no pódio de Mônaco
“Os Comissários destacam, em particular, o cálculo realizado pelo Cronometrista Oficial segundo o qual, considerando os tempos registrados do carro 10 entre os dois loops em questão (1,604 segundo e 1,602 segundo, respectivamente), caso se assumisse que o carro estava trafegando a uma velocidade média de 60 km/h, as distâncias percorridas teriam sido de: 2.673 cm e 2.670 cm”, registra o documento oficial da FIA.
A conclusão da federação foi direta.
“Quando essas distâncias são comparadas com: a distância utilizada no cálculo oficial (2.692 cm), e a distância mínima teórica (2.615 cm), concluímos que o carro 10 não excedeu o limite de velocidade de 60 km/h entre aqueles dois loops”.
Alpine ganha pontos, e Hadjar perde pódio
Com a revisão, Gasly reassume o terceiro lugar e recoloca a Alpine em posição mais favorável na pontuação do campeonato.
A mudança também afeta diretamente Isack Hadjar, que perde o que seria o segundo pódio da carreira e o primeiro desde a associação com a Red Bull.
Além disso, a FIA ressaltou que outras equipes envolvidas em punições semelhantes no mesmo GP não poderão mais pedir reversão, porque não apresentaram solicitação dentro do prazo regulamentar.
Caso reforça peso da análise técnica na F1
Mudanças de resultado após a corrida não são comuns, especialmente quando envolvem pódio. Por isso, o caso de Mônaco ganha relevância técnica e esportiva.
A decisão mostra como medições de pit lane, sensores e parâmetros de cronometragem seguem centrais na aplicação do regulamento. Em uma F1 cada vez mais dependente de precisão eletrônica, diferenças mínimas de configuração podem alterar não apenas a classificação de uma sessão, mas o resultado oficial de um Grande Prêmio inteiro.
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