A ação judicial de Felipe Massa sobre o título da F1 2008 ganhou novo capítulo nesta quarta-feira (10), no Reino Unido, com a autorização para que FIA, Formula One Management e Bernie Ecclestone recorram à Suprema Corte. O caso avançou porque os réus haviam sido condenados em março a pagar £250 mil ao brasileiro, dentro da disputa ligada ao escândalo do Crashgate de Singapura.
Réus conseguem levar caso diretamente à Suprema Corte
Segundo a Sky Sports, os réus receberam permissão para “saltar” a Court of Appeal e levar diretamente à instância máxima uma questão jurídica central do processo.
A medida não encerra a ação de Massa, mas pode ser decisiva para definir o alcance legal do caso e até a continuidade da disputa nos moldes atuais.
Em novembro, a Justiça já havia decidido que o processo do brasileiro poderia ir a julgamento. Na ocasião, porém, rejeitou o pedido de declaração formal de que Massa deveria ser reconhecido como campeão mundial de 2008.
Processo envolve custos e pedido de indenização
Em março, um juiz da High Court determinou que FIA, Formula One Management e Ecclestone pagassem £250 mil a Massa por custos relacionados a pedidos anteriores dentro da ação, conforme decisão vista pela Sky Sports News.
Ao mesmo tempo, o magistrado aceitou parte dos argumentos da defesa e reconheceu que havia uma questão relevante de direito a ser analisada diretamente pela Suprema Corte.
Na prática, isso abriu caminho para o novo recurso, agora oficialmente autorizado.
Entenda a base da ação de Felipe Massa
O processo gira em torno do GP de Singapura de 2008, palco do chamado Crashgate. Na ocasião, a Renault ordenou que Nelsinho Piquet provocasse um acidente para favorecer a vitória de Fernando Alonso.
Massa liderava a corrida com a Ferrari, mas teve a estratégia comprometida após a entrada do safety-car e terminou apenas em 13º. No fim da temporada, perdeu o título para Lewis Hamilton por um ponto.
O caso veio à tona em 2009, quando Piquet revelou que bateu de forma deliberada sob instrução da equipe. A base da ação atual sustenta que houve omissão sobre o caso e que isso afetou diretamente a disputa do campeonato.
Brasileiro mantém acusação de ocultação
Os advogados de Massa alegam que Ecclestone sabia que o acidente havia sido deliberado e que ele e a FIA falharam ao não investigar adequadamente o episódio.
Em declaração anterior, Felipe Massa afirmou: “Estou ansioso para provar no tribunal que eles conspiraram para esconder a verdade, e vou usar todos os meios legais para garantir que essa injustiça seja corrigida. A Fórmula 1 é o maior esporte do mundo, mas é essencial que também seja o mais justo”.
A fala mostra que o brasileiro mantém a linha de argumentação de que não busca apenas reparação financeira, mas também reconhecimento sobre a condução institucional do caso.
Disputa reabre uma das maiores feridas da F1 moderna
O Crashgate é um dos episódios mais graves da era recente da Fórmula 1. O escândalo gerou punições esportivas pesadas à Renault e manchou uma temporada que terminou com uma das decisões mais dramáticas da categoria.
Agora, quase duas décadas depois, o assunto voltou ao centro do debate não por revisão esportiva do resultado, mas por sua dimensão judicial e institucional.
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