A IndyCar assumiu publicamente a necessidade de ampliar o número de provas em circuitos ovais a partir de 2028, depois de perder a etapa de Nashville e ficar com apenas quatro praças desse formato no calendário de 2027. A declaração é do presidente da categoria, Doug Boles, que classificou a redução como um golpe ao DNA do esporte e elegeu a busca por novas pistas como prioridade máxima para os próximos anos, ao lado do retorno da prova ao centro da cidade do Tennessee.
O calendário da próxima temporada, que tem a estreia de Barcelona como principal novidade internacional, contará com 17 etapas. Desse total, apenas cinco serão disputadas em ovais, distribuídas em quatro praças: Phoenix, Indianápolis, St. Louis (Gateway) e Milwaukee, que mantém a rodada dupla justamente para preservar o número de corridas no formato.
“Obviamente, perder o oval de Nashville é algo que nenhum de nós queria ver, especialmente alguém como eu, que adora tanto os circuitos ovais”, afirmou Doug Boles.
“Portanto, outra grande prioridade para nós é encontrar ovais que possamos acrescentar ao nosso calendário a partir de 2028, porque essa é realmente a história e a base deste esporte, e é uma das coisas que traz essa diversidade, que torna nosso esporte tão especial e fantástico”, completou o dirigente.
Do circuito de rua ao oval e a saída definitiva
A trajetória de Nashville na IndyCar resume parte das dificuldades financeiras e logísticas que envolvem a promoção de etapas nos Estados Unidos. A cidade recebeu a categoria em 2021 com um traçado de rua montado no centro, nos arredores do Nissan Stadium, e rapidamente se consolidou como uma das provas mais movimentadas do calendário.
A partir de 2025, a corrida foi transferida para o Nashville Superspeedway, oval de 1,33 milha (2,14 km) localizado em Lebanon, a cerca de 50 km do centro. A justificativa oficial foram as obras de reforma no estádio, mas o custo elevado da operação urbana foi apontado nos bastidores como fator determinante — a Penske Entertainment, proprietária da IndyCar, chegou a atuar diretamente na organização ao lado do promotor Scott Borchetta.
Após duas edições no oval, a etapa deixou a programação de 2027 e foi substituída justamente pela rodada espanhola em Barcelona, ampliando a presença europeia da categoria.
A prioridade absoluta: voltar ao centro de Nashville
Ainda que o formato oval seja o foco, Boles separou as duas frentes de trabalho. A primeira é recolocar Nashville no mapa, preferencialmente no traçado urbano que consagrou a prova em seus primeiros anos.
“Nashville é uma comunidade importante para nós. É muito vibrante, com muitas atividades além das corridas. Portanto, voltar, especialmente ao centro da cidade, onde podemos criar a energia que sentimos nos primeiros anos em que estivemos lá, é uma prioridade absoluta para nós”, disse.
“Sabemos que há alguns desafios para chegar lá, mas com certeza continuaremos focados nisso. A outra prioridade da Indy é continuar a garantir que os circuitos ovais sejam uma grande base no nosso esporte”, encerrou o presidente.
Por que os ovais importam tanto
A fala de Boles não é apenas retórica de gestão. Os ovais são o alicerce histórico da categoria desde a fundação do Indianapolis Motor Speedway, em 1909, e da primeira edição das 500 Milhas, em 1911. Foi nesse formato que se construiu a mística da Indy, com disputas de altíssima velocidade, ultrapassagens em grupo e riscos elevados.
A dependência desse tipo de circuito também explica a complexidade técnica das equipes, que precisam desenvolver pacotes aerodinâmicos específicos, com baixa carga e foco em eficiência, para pistas como Indianápolis, Gateway e Phoenix. O Milwaukee Mile, inclusive, é o mais antigo circuito em atividade nos Estados Unidos, com eventos desde 1903.
Nas últimas décadas, porém, a expansão urbana e o custo de manutenção eliminaram praças tradicionais do calendário — caso de Fontana, Michigan e Texas, que já recebeu a categoria por mais de duas décadas consecutivas. A perda de Nashville agrava um processo de encolhimento que a categoria tenta reverter.
O movimento ganha peso adicional porque a Indy prepara a introdução de um novo pacote técnico a partir de 2028, com chassi e motores atualizados. Ter mais ovais na programação amplia a variedade de desenvolvimento e devolve à categoria a diversidade que a diferencia da Fórmula 1 e da Fórmula E.
🔗 Junte-se à nossa comunidade!
👉 Entre no nosso grupo no WhatsApp para receber novidades, trocar ideias e ficar por dentro de tudo em tempo real.
📺 E não esqueça de se inscrever no nosso canal no YouTube para vídeos exclusivos, curiosidades e muito mais!
