A FIA decidiu que o GP de Mônaco de 2026, nas ruas de Monte Carlo, não terá uso do modo reta da nova aerodinâmica ativa da Fórmula 1. A medida foi tomada porque o traçado do Principado não atende aos critérios técnicos definidos pela entidade e, sobretudo, porque o ganho de desempenho não compensa o risco em um circuito curto, estreito e com poucas áreas de escape.
O que é o modo reta da F1 2026
Com o novo regulamento, a F1 deixou para trás o DRS e passou a adotar um sistema de aerodinâmica ativa. Nele, os pilotos podem alterar as asas dianteira e traseira para reduzir arrasto e melhorar a eficiência do carro nas retas.
O chamado modo reta não foi pensado exatamente como ferramenta de ultrapassagem. Sua função principal é otimizar o uso de energia e diminuir a resistência aerodinâmica em pontos específicos da pista.
Por que Mônaco ficou fora
A principal justificativa da FIA é a segurança. Em Monte Carlo, os carros andam muito próximos dos muros, e qualquer aumento relevante de velocidade precisa ser tratado com cautela extrema.
Segundo os critérios adotados pela federação, o modo reta só pode ser liberado em trechos onde o carro não esteja operando no limite de aderência dos pneus. Em Mônaco, isso praticamente não acontece de forma suficiente para justificar a ativação do sistema.
Além disso, a FIA entende que a ativação e a desativação do recurso precisam ser seguras em qualquer cenário de corrida, seja com pouco combustível, pneus novos ou compostos desgastados no fim de stint. No caso de Mônaco, essa margem de segurança não foi considerada adequada.
Traçado de Monte Carlo pesa contra o sistema
O circuito de Monte Carlo, com 3,337 km, é o menor do calendário e um dos mais travados da temporada. Frenagem, tração e estabilidade têm papel central em praticamente toda a volta.
Nesse cenário, uma redução de arrasto de cerca de 20% e um possível ganho de até 20 km/h poderiam aumentar demais a velocidade de chegada à curva seguinte. Em um circuito com espaço mínimo para correção, isso amplia o risco operacional.
Outro fator importante é que as zonas de uso do modo reta precisam ter duração mínima de três segundos. A exigência existe para evitar ativações excessivamente curtas, que aumentariam a carga de trabalho do piloto sem benefício real de performance.
DRS antigo e modo reta não são a mesma coisa
A comparação com o DRS do regulamento anterior é natural, mas incompleta. Até o ano passado, Mônaco tinha zona de DRS na reta principal, o que faz a decisão atual chamar atenção.
A diferença é que o DRS era uma ferramenta de ultrapassagem, liberada quando o piloto estava a menos de um segundo do carro à frente. Já o modo reta faz parte de uma lógica mais ampla de gestão aerodinâmica e energética, com critérios de aplicação mais rígidos em termos de segurança e funcionamento do carro.
Modo ultrapassagem seguirá em Mônaco
Embora o modo reta esteja vetado, Mônaco ainda terá o chamado modo ultrapassagem em 2026. Nesse formato, o piloto recebe potência adicional quando estiver a menos de um segundo do adversário em uma zona de ativação.
No caso do Principado, esse recurso estará disponível antes da última curva. Ou seja, a FIA retirou apenas a configuração de baixa resistência aerodinâmica, mas manteve um mecanismo voltado à disputa direta por posição.
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