Não quero falar de vitória. Nem de estratégia. Nem de Antonelli, Leclerc, Verstappen ou da falta de ultrapassagens no Grande Prêmio de Mônaco. Dessa vez, não.
Quero falar de algo que tenho pensado, principalmente quando acompanho um Grande Prêmio ou um debate caloroso sobre Fórmula 1 em algum Podcast perdido no Youtube. Já aviso que vou escrever abaixo sobre um assunto que será desconfortável para muitos fãs de Fórmula 1, principalmente os mais saudosistas.
Quero falar sobre Lewis Hamilton ser maior do que Ayrton Senna.
A pergunta: “Quem é o melhor?”
Antes de começar minhas explanações, quero deixar claro que usei o nome de Ayrton Senna para chamar a atenção. É claro que ele será citado abaixo, até porque, por muito tempo, a discussão sobre “o maior de todos os tempos” na Fórmula 1 girou em torno de seu nome e também no de outros, como Fangio, Clark e Schumacher.
Há quem defenda que Juan Manuel Fangio foi o melhor, pois dominou uma era em que correr era sobreviver. Outros acreditam que Jim Clark foi o maior, já que era talento puro em estado bruto. Ayrton Senna, por outro lado, virou para muitos uma entidade emocional do esporte. Já quem vota em Michael Schumacher, acredita que o alemão foi o maior por ter redefinido o profissionalismo e a obsessão pela vitória.
Confesso que, por muito tempo, eu mesmo me inclinei a pensar assim. Se tivessem me perguntado quem foi o melhor antes de começar a escrever sobre automobilismo, teria dito Senna, sem dúvida. Depois que comecei a buscar mais conhecimento, poderia dizer Fangio ou Clark, talvez. Até mesmo pelo contexto, pelo perigo e pelo romantismo do risco.
Mas isso mudou.
Quando o conceito de “maior” deixa de ser só pista
Hoje, eu já não consigo mais olhar para esse debate só pela lente da performance. Porque existe algo que não cabe mais apenas em estatísticas. E é aqui que Hamilton entra de forma diferente.
Sim, ele tem números. Vitórias. Títulos. Poles. Recordes. E honestamente? Qualquer argumento técnico que tente colocá-lo abaixo nessa métrica precisa ignorar muita coisa.
Mas não é isso que me fez mudar de ideia.
A ideia de transcendência
Hamilton não é apenas um piloto rápido. Ele é um símbolo em movimento. E isso é raro.
A história dele não começa na Fórmula 1. Começa antes. Com um pai trabalhando em vários empregos para sustentar o sonho de um garoto negro em um ambiente onde quase ninguém era como ele.
E sabe por que isso importa? Porque não é só sobre chegar. É sobre abrir caminho.
Quando o esporte vira espelho
Em algum momento, Hamilton deixou de ser apenas um piloto e passou a ser uma representação de possibilidade. De pertencimento. E aqui entra um paralelo que sempre me vem à cabeça.
Quando o filme Pantera Negra chegou ao cinema, não foi só mais um filme de super-herói. Para muita gente, principalmente na população negra ao redor do mundo, aquilo foi diferente. Não era só entretenimento. Era espelho. Era a sensação de: “eu também posso estar aqui”.
E o mesmo tipo de sentimento, em outra escala, acontece com Hamilton.

O impacto fora das pistas
Ele usa a própria imagem. Se posiciona. Incomoda. Abre debates. E isso não é detalhe — é parte da grandeza. Porque existem campeões que vencem corridas. E existem campeões que mudam o que as pessoas acham possível ser.
Hamilton faz os dois.
Sobre Senna, Schumacher e o respeito necessário
E antes que isso vire uma guerra de argumentos vazios, preciso deixar algo claro.
Eu entendo quem coloca Senna no topo.
Ayrton Senna é, para muitos, o ápice emocional do esporte. Dentro e fora da pista. E há quem veja nele não apenas o piloto, mas o símbolo.
E tudo bem.
Não é disso que estou tentando discordar. Na verdade, nem quero disputar esse território. Porque grandeza, no fim, não deveria ser um tribunal.
O ponto final dessa reflexão
Para mim, hoje, o conceito de “maior de todos os tempos” deixou de ser apenas sobre quem foi mais rápido. Passou a ser sobre quem deixou o esporte maior do que era antes de existir. E nisso, Hamilton não apenas participa da conversa. Ele redefine a conversa.
Talvez o debate nunca tenha uma resposta definitiva. Talvez não deva ter. Mas, olhando tudo o que ele representa — dentro e fora da pista — eu chego a uma conclusão que, para mim, hoje parece simples demais para ser ignorada: Lewis Hamilton não é apenas um dos maiores da história.
Ele é, para mim, o maior de todos os tempos.

Este é um texto em que o/a autor/autora apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Gulliver Editora Ltda - detentora da marca Racer Media.
🔗 Junte-se à nossa comunidade!
👉 Entre no nosso grupo no WhatsApp para receber novidades, trocar ideias e ficar por dentro de tudo em tempo real.
📺 E não esqueça de se inscrever no nosso canal no YouTube para vídeos exclusivos, curiosidades e muito mais!
