A Mercedes decidiu recalcular sua rota na temporada 2026 da Fórmula 1. Após vencer oito das dez corridas disputadas até o GP da Bélgica, o chefe Toto Wolff admitiu que a equipe imporá ordens de equipe caso Andrea Kimi Antonelli e George Russell voltem a comprometer uma vitória em disputa interna — como aconteceu em Barcelona, quando ambos perderam para a Ferrari de Lewis Hamilton após seis voltas de briga pela liderança. A postura foi reforçada em coletiva pós-corrida em Spa-Francorchamps e ganha peso às vésperas do GP da Hungria, na metade da temporada.
O trauma de Barcelona
O ponto de virada foi o GP da Espanha. Em Barcelona, Russell e Antonelli trocaram posições e disputaram a ponta por seis voltas consecutivas.
O desgaste custou caro: Hamilton, com pneus mais novos, ganhou 13 segundos sobre o italiano no período e chegou a vencer a prova pela Ferrari — uma das duas derrotas da Mercedes no ano.
Wolff: “Não queremos nenhuma oscilação”
Em Spa, questionado sobre transformar Russell oficialmente em piloto nº 2, Wolff recusou a ideia — mas reforçou que a vitória da equipe está acima das disputas internas.
“O tipo de missão que estabelecemos para hoje é não perdermos tempo uns com os outros. Não queremos nenhuma oscilação e, então, ter uma Ferrari ou uma Red Bull nos pressionando e perder uma vitória, como aconteceu em Barcelona”, afirmou.
“Desde Barcelona, de qualquer forma, sempre daríamos preferência à vitória na corrida. E se isso significasse que Kimi ou George estiver na frente, é isso que faríamos.”
Russell aceita: “A vitória da equipe é prioridade”
O britânico, que tinha resistido à ideia após o duelo limpo com Antonelli em Montreal, mudou de postura publicamente após o revés catalão.
“Acho que está claro que a vitória da equipe é a prioridade. Não importa qual piloto”, disse Russell.
“Sem o safety car, Kimi e eu estávamos perdendo tempo juntos e isso teria dado a oportunidade para a Ferrari vencer. É aí que precisamos ser espertos como companheiros de equipe.”
Com 50 pontos de desvantagem para o companheiro no campeonato, o britânico segue matematicamente vivo, mas assume papel de suporte estratégico quando o cenário exigir.
Contexto: a Mercedes redesenha sua hierarquia
A situação vivida em 2026 é praticamente inédita na era híbrida da Mercedes. Nos anos dourados com Lewis Hamilton e Nico Rosberg (2014-2016), o time evitava ordens explícitas — o que culminou em episódios como o choque em Barcelona 2016 e a crise interna que precipitou a aposentadoria do alemão após o título.
Agora, com Antonelli despontando como líder natural no segundo ano de carreira e Russell ainda dentro da briga, Wolff tenta equilibrar meritocracia e pragmatismo. A Ferrari SF-26 — competitiva em Silverstone e Spa — deve ser ainda mais forte no Hungaroring, palco onde Leclerc e Hamilton historicamente brilham. A F1 volta à ação neste fim de semana, na última etapa antes da pausa de verão.
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