A Toyota, atual vencedora das 24 Horas de Le Mans, admitiu nesta semana que está reavaliando a continuidade na classe Hipercarro do Mundial de Endurance (WEC) a partir de 2030. O diretor de automobilismo da marca, Masaya Kaji, declarou ao portal Sportscar365 que a montadora japonesa foi pega de surpresa pelo anúncio do novo regulamento feito por FIA, ACO e IMSA durante o fim de semana de Le Mans, e classificou como “difícil de aceitar” a obrigatoriedade de abandonar a tração integral do atual GR010 Hybrid LMH.
O que muda no regulamento de 2030
O acordo apresentado em junho prevê o fim da dualidade entre LMH e LMDh e a adoção de uma plataforma técnica única na classe principal a partir de 2030. A nova base contemplará apenas tração traseira, eliminando o conceito de tração nas quatro rodas que é hoje uma das marcas registradas dos protótipos LMH — entre eles o próprio Toyota, a Ferrari 499P e o Peugeot 9X8.
A medida busca reduzir custos e ampliar a competitividade técnica, em uma fase de boom da categoria, que reúne hoje fabricantes como Porsche, Cadillac, BMW, Alpine, Aston Martin, Genesis e Lamborghini.
“Se a ideia é convergir para o LMDh, é muito difícil”
A leitura de Kaji é direta: o desenho técnico esboçado pelos órgãos reguladores empurra o paddock na direção da arquitetura LMDh, hoje baseada em chassis LMP2 evoluídos com sistema híbrido padrão.
“Honestamente, fomos pegos de surpresa. Participamos de muitas reuniões até este ponto e achávamos que nenhuma conclusão concreta havia sido alcançada, mas o anúncio foi feito dessa forma. Se a ideia é convergir para o LMDh, isso é muito difícil para a Toyota”, afirmou.
“Se tivermos de abrir mão do uso da tração nas quatro rodas, teremos de reiniciar o desenvolvimento praticamente do zero. Para nós, isso é algo difícil de aceitar”, completou.
Hidrogênio segue como aposta estratégica
Mesmo com o desconforto, o dirigente reafirmou o compromisso da Toyota com um protótipo movido a hidrogênio — categoria H2 que também aparece prevista nas diretrizes para 2030. A montadora, pioneira do hidrogênio no automobilismo desde o GR H2 Racing Concept, apresentado em Le Mans em 2023, aceita o risco de ser a única fabricante na subclasse inicialmente.
“Gostaríamos de estar lá em 2030 com um carro movido a hidrogênio. Diante da situação atual, entendemos que talvez sejamos o único fabricante a seguir esse caminho inicialmente. É exatamente por isso que acreditamos ser importante construir uma comunidade mais ampla de competidores ligados ao hidrogênio no automobilismo”, explicou.
Oferta para fornecer motores a outras equipes
Kaji lembrou ainda a posição do vice-presidente executivo da Toyota Motor Corporation, Hiroki Nakajima, segundo a qual a montadora está disposta a fornecer motores a hidrogênio a outras equipes para impulsionar o ecossistema da tecnologia no esporte a motor.
“Se todos os outros fabricantes adotarem uma configuração semelhante à do LMDh, então não haverá uma verdadeira competição entre tecnologias. Isso seria difícil de aceitar para nós”, sentenciou.
🔗 Junte-se à nossa comunidade!
👉 Entre no nosso grupo no WhatsApp para receber novidades, trocar ideias e ficar por dentro de tudo em tempo real.
📺 E não esqueça de se inscrever no nosso canal no YouTube para vídeos exclusivos, curiosidades e muito mais!
