Mohammed Ben Sulayem propôs à FIA, nesta quarta-feira (28), a retirada do artigo que limita o número de mandatos presidenciais, em uma mudança que será votada na próxima Assembleia Geral. A iniciativa ganhou força porque, se aprovada, permitirá ao atual dirigente seguir no cargo além do teto hoje previsto nos estatutos da entidade máxima do automobilismo.
Mudança mira regra que limita presidência a 12 anos
Atualmente, o Artigo 20.10 estabelece que o presidente da FIA não pode exercer mais de três mandatos consecutivos, o que equivale a um máximo de 12 anos no posto.
A proposta apoiada por Ben Sulayem busca eliminar essa trava. Na prática, isso abriria espaço para uma permanência sem limite previamente definido, desde que haja sustentação política dentro da estrutura da federação.
FIA fala em padronização entre órgãos internos
Em posicionamento enviado à imprensa, a entidade afirmou que a medida tenta criar uma abordagem “consistente” para a duração de mandatos em todos os órgãos da FIA.
Segundo a federação, a proposta ainda depende de aprovação dos Conselhos Mundiais e da Assembleia Geral. A FIA também sustentou que seus órgãos mantêm plena autoridade para eleger democraticamente os dirigentes.
Tema reacende debate sobre governança
A movimentação tem peso político porque mexe em um dos principais mecanismos de limitação de poder dentro da entidade.
Historicamente, o limite de mandatos foi incorporado aos regulamentos durante a gestão de Jean Todt, justamente como parte de uma visão mais moderna de governança. Antes disso, a FIA viveu administrações longas, como a de Max Mosley, que permaneceu 16 anos no comando.
Eleição anterior já havia exposto falta de oposição real
O debate acontece depois de uma eleição em que Ben Sulayem concorreu sem oposição efetiva. Outros nomes até tentaram entrar na disputa, mas não conseguiram preencher os requisitos formais exigidos pela FIA para validar a candidatura.
Esse contexto é importante porque amplia a leitura de concentração política dentro da federação. Um dos pontos centrais é a exigência de uma chapa com sete vice-presidentes regionais, critério que já havia dificultado o surgimento de adversários competitivos.
Proposta pode ampliar desgaste institucional
A tentativa de remover o limite também surge em um momento de questionamentos sobre a condução política da FIA. Após o último processo eleitoral, a ex-candidata Laura Villars entrou com ação judicial contra a entidade.
Mesmo fora do ambiente puramente esportivo, a discussão interessa diretamente à Fórmula 1, ao WEC e a outras categorias reguladas pela FIA. Afinal, qualquer mudança de governança no topo da federação tende a influenciar decisões esportivas, comerciais e institucionais em toda a pirâmide do automobilismo mundial.
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