A Geely negocia a aquisição dos ativos da Alpine para entrar no WEC a partir de 2027, assumindo a estrutura do protótipo A424 e buscando uma nova homologação para a classe Hipercarro. A operação, ainda em discussão, surge após a confirmação de que a marca francesa deixará o Mundial de Endurance ao fim da temporada 2026 e reforça a expansão do campeonato, que já terá Ford e McLaren no grid no próximo ano.
Segundo informações publicadas pelo Dailysportscar, a fabricante chinesa é, neste momento, a principal interessada em assumir o programa operado pela Signatech. A intenção seria redesenhar o carro atual antes de submetê-lo a uma nova homologação.
Geely pode preservar base técnica e pilotos da Alpine
A negociação ainda depende de definições sobre a propriedade intelectual do projeto. Porém, Geely e Alpine já teriam alcançado entendimento em outros pontos fundamentais para a transferência da operação.
A Signatech, responsável pelo programa da Alpine no WEC, também deve permanecer envolvida no projeto em 2027. Ainda não há, contudo, clareza sobre a função da estrutura de Viry-Châtillon nem sobre o formato de gestão que será adotado pela possível equipe chinesa.
A reportagem aponta ainda que a Geely contatou a maior parte do atual elenco de pilotos da Alpine. O objetivo seria manter nomes já habituados ao carro e ao ambiente operacional do WEC, reduzindo o tempo de adaptação de um eventual novo programa.
Aramco e Horse Powertrains acompanham projeto
A possível chegada da Geely também desperta o interesse de empresas ligadas ao setor energético e de propulsão. A Aramco, companhia estatal saudita de petróleo e gás, e a Horse Powertrains, especializada em motores a combustão e sistemas híbridos, acompanham a iniciativa.
A relação corporativa entre os grupos pode favorecer as conversas. A Geely é acionista minoritária da Renault no Brasil, elemento que adiciona uma conexão prévia entre as partes envolvidas na negociação.
WEC ganha novo candidato em cenário de expansão
A entrada da Geely tornaria a marca a primeira chinesa a disputar uma temporada integral na era moderna do Mundial de Endurance. Seria um marco relevante para uma categoria que recuperou força com a convergência entre os regulamentos LMH e LMDh e hoje reúne fabricantes de diferentes mercados.
O grid de 2027 já crescerá com os programas confirmados de Ford e McLaren. Ao mesmo tempo, fabricantes estabelecidas, como Ferrari, Peugeot e Aston Martin, trabalham em evoluções para seus Hipercarros, tornando a disputa técnica e esportiva ainda mais intensa.
A possibilidade de absorver o projeto A424 oferece à Geely uma rota de entrada mais rápida do que iniciar um protótipo do zero. Mas a nova homologação será crucial: a marca precisará equilibrar a utilização de uma plataforma existente com uma identidade técnica própria e desempenho suficiente para competir em um grid cada vez mais robusto.
Geely mira continuidade até novo regulamento de 2030
A movimentação não seria apenas uma operação de curto prazo. A Geely também observa a revisão técnica planejada para 2030, quando o WEC deve abrir espaço para uma nova fase regulatória, incluindo estudos da FIA para tecnologias de hidrogênio.
Assim, a eventual estreia em 2027 permitiria à montadora chinesa estabelecer experiência em endurance, montar uma estrutura competitiva e se posicionar para o próximo ciclo técnico da categoria.
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