Lewis Hamilton manifestou forte insatisfação com as decisões estratégicas da Ferrari após finalizar o GP da Holanda de Fórmula 1 na quarta posição neste domingo, em Zandvoort. O piloto britânico cobrou publicamente a cúpula de Maranello pela lentidão nas ordens de equipe e nas janelas de pit stop, apontando a postura tática e ágil de sua antiga equipe, a Mercedes, como o modelo operacional a ser seguido para recolocar a Scuderia no caminho dos títulos.
O heptacampeão mundial se envolveu em diálogos ríspidos via rádio com o engenheiro de corrida Carlo Santi durante a corrida, chegando a questionar se estava sendo utilizado como “cobaia” tática no circuito holandês. A demora do pit wall em inverter as posições com Charles Leclerc custou preciosos segundos em um momento crucial da disputa por posições no pódio.
Hesitação estratégica prejudicou ritmo contra rivais
O descompasso ficou evidente quando Hamilton, calçado com um composto diferente e em ritmo superior, ficou retido atrás de Leclerc. O monegasco enfrentava severa degradação térmica nos pneus médios no encerramento de seu stint, travando o avanço do companheiro de equipe.
O cenário contrastou diretamente com o procedimento da Mercedes, que instruiu prontamente George Russell a ceder passagem ao líder do Mundial, Andrea Kimi Antonelli, ao identificar discrepâncias de ritmo e estratégia entre seus pilotos na pista.
“Não conversamos sobre isso durante a corrida e não conversamos antes também. É frustrante. Estou aqui para vencer e tinha um ótimo ritmo. Ele estava no final de um stint sofrendo demais com o pneu médio, e isso me fez perder muitos segundos atrás dele”, desabafou Hamilton à emissora Sky Sports Alemanha.
A cobrança expõe um dilema crônico na gestão de corridas da Ferrari, aspecto amplamente debatido ao longo das últimas temporadas da categoria. A chegada de Hamilton a Maranello em 2025 trouxe a exigência de processos mais assertivos e frios no muro dos boxes para enfrentar rivais consolidados.
Déficit de velocidade em reta agrava cenário tático
Além da rigidez operacional, Hamilton apontou uma limitação técnica no desempenho da unidade de potência e na eficiência aerodinâmica do carro italiano nas retas holandesas.
“O pessoal tem feito um trabalho fantástico com o carro, as paradas foram ótimas. O problema é que estamos perdendo cerca de quatro décimos por volta nas retas contra os motores Mercedes nas corridas. Mas estamos dando o nosso melhor para diminuir essa diferença”, detalhou o heptacampeão.
Hamilton exige postura de campeã para buscar o topo
Mesmo destacando os avanços mecânicos conquistados pela equipe, o piloto enfatizou que as conversas internas precisarão de franqueza absoluta para evitar novos desperdícios pontuais no campeonato de 2026.
A busca por vitórias exige a eliminação de hesitações que permitam aos concorrentes diretos ampliar a vantagem na tabela de classificação. O britânico ressaltou que a mentalidade vencedora deve guiar todas as decisões operacionais do time italiano daqui para a frente.
“Meu objetivo aqui é tentar levar essa equipe ao título. Por isso, será uma conversa tranquila, mas precisa ser firme. Estamos aqui para vencer. Se você quer vencer, são essas coisas que precisamos fazer. Porque é isso que eles [Mercedes] estão fazendo e se distanciando”, concluiu Hamilton.
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