A 3ª Vara Cível da Comarca de Cotia (SP) concedeu uma liminar que suspende a cobrança feita pela Audace Tech, fabricante dos carros da Stock Car, e pela Vicar, promotora da categoria, sobre os custos das atualizações realizadas no SNG01 para a temporada 2026. A decisão foi proferida após ação movida pela Scuderia Bandeiras e atinge diretamente as duas empresas do Grupo Veloci, controlado por Lincoln Oliveira, que poderão ser multadas em R$ 100 mil por infração em caso de descumprimento.
O que diz a decisão judicial
Segundo o portal Grande prêmio, na liminar o contrato firmado entre as partes prevê que qualquer alteração nas características básicas do projeto deve ser custeada pela Audace Tech, pela Vicar ou por patrocinadores, nunca pelas equipes que disputam o campeonato.
O magistrado entendeu, portanto, que repassar às escuderias o valor das adaptações configuraria quebra contratual, justificando a concessão da medida em caráter de urgência.
O motivo da cobrança: do V4 turbo problemático ao novo V8
As modificações no SNG01 foram necessárias para acomodar o novo motor V8, que substituiu o V4 turbo utilizado em 2025. A unidade anterior foi apontada como uma das principais causas dos problemas técnicos que levaram à interrupção do campeonato no ano passado, episódio inédito na história recente da categoria, que precisou retomar testes para garantir a segurança e a competitividade do grid.
A Stock Car, principal categoria do automobilismo brasileiro desde 1979, vive um momento de transição técnica e institucional sob o Grupo Veloci, que assumiu o comando há poucas temporadas e implementou o projeto SNG01 como novo carro único.
Cobrança às vésperas da abertura da temporada
A Vicar repassou os custos das atualizações às equipes na mesma semana da primeira etapa de 2026, sem aviso prévio. Pelo regulamento contratual, escuderias inadimplentes podem perder acesso ao sistema de fornecimento de peças e componentes, o que, na prática, inviabilizaria a participação na competição.
Foi justamente esse risco operacional, somado à interpretação contratual, que sustentou o pedido judicial da Scuderia Bandeiras e abre precedente para que outras equipes da categoria sigam o mesmo caminho.
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