A FIA deve banir o difusor utilizado pela Mercedes desde o GP do Canadá na Fórmula 1, após pedido formal de investigação apresentado pela Ferrari há algumas semanas. A decisão, segundo apuração do Autoracer, será anunciada neste fim de semana, no GP da Áustria, no Red Bull Ring, e mira apêndices instalados na borda superior do difusor — solução que a Scuderia classifica como exagerada e fora das conformidades regulatórias. Haas e outras equipes que copiaram o conceito também serão afetadas.
A peça em discussão
O componente foi pensado para melhorar o aproveitamento do fluxo de ar na traseira do W16. Embora o ganho não seja extraordinário, em 2026 qualquer décimo é decisivo na disputa pelo Mundial de Construtores.
A Ferrari justificou o pedido alegando que apresentou peça semelhante no início da temporada e foi reprovada, configurando, na visão de Maranello, um tratamento desigual por parte da Federação.
FIA havia liberado em Mônaco
Em Mônaco, a FIA confirmou a legalidade da solução da Mercedes — o que motivou outras equipes a explorar a brecha. A Haas, por exemplo, aplicou placas de carbono estendendo a borda superior do difusor em Barcelona.
Nos bastidores, Ferrari e outras equipes argumentaram à Federação que a aprovação abriria precedentes para soluções cada vez mais agressivas, levando o regulamento a uma corrida sem freios.
Áustria ou Silverstone?
A FIA já emitiu um documento técnico restringindo interpretações criativas sobre difusores. O impasse agora é a data de vigência. A intenção inicial era barrar as peças já em Spielberg, mas a falta de tempo hábil levou as equipes a negociar adiamento para o GP da Grã-Bretanha, em Silverstone.
As próximas horas serão decisivas. Caso a proibição valha ainda neste fim de semana, Mercedes, Haas e outras equipes terão que reverter componentes em tempo recorde — algo raro na história recente da F1.
Contexto: as guerras técnicas da F1
Disputas sobre áreas cinzentas do regulamento marcam a história da categoria. A decisão sobre o difusor da Mercedes chega em momento delicado: a equipe de Toto Wolff vive temporada de altos e baixos com George Russell e Kimi Antonelli, enquanto a Ferrari, com Lewis Hamilton e Charles Leclerc, busca recuperar terreno após meses de instabilidade e prepara nova unidade de potência para a própria Áustria. Banir a peça pode equilibrar — ou inflamar — a briga pelo Mundial de Construtores 2026.
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