A Mercedes desistiu de comprar 24% das ações da Alpine na Fórmula 1, em negociação conduzida nas últimas semanas no mercado de equipes da categoria, porque considerou excessivo o valor pedido pela Otro Capital. A operação, que tinha aval preliminar da Renault, foi interrompida após a avaliação de US$ 3 bilhões para a equipe francesa ser vista como acima do patamar aceitável pela montadora alemã.
Preço pedido afastou a Mercedes
De acordo com as informações publicadas, a Otro Capital queria US$ 720 milhões por sua participação minoritária. O número implicava uma valorização total da Alpine em cerca de US$ 3 bilhões.
A leitura da Mercedes foi de que esse preço não representava um investimento financeiramente sólido. Por isso, a fabricante encerrou as conversas antes de avançar para a etapa final do negócio.
Alpine já tem relação técnica com a Mercedes
O interesse não era aleatório. A Mercedes já fornece unidades de potência e caixas de câmbio para a Alpine, o que naturalmente aproximava as partes também no campo societário.
Ainda assim, a relação técnica não foi suficiente para viabilizar a compra. Quando o debate passou do aspecto esportivo para a precificação do ativo, a negociação perdeu força.
Renault seguia como peça central do processo
Embora a fatia colocada à venda pertença à Otro Capital, a Renault, controladora majoritária da equipe, segue com poder relevante no processo. Segundo o cenário informado, a montadora francesa pode vetar um comprador até setembro.
Isso mostra que a discussão vai além de uma simples transação financeira. Em equipes de F1, estrutura acionária, influência estratégica e alinhamento industrial costumam pesar tanto quanto o dinheiro colocado na mesa.
Movimento reforça valorização recente das equipes
A tentativa frustrada da Mercedes se encaixa em uma tendência clara da Fórmula 1: a forte valorização das equipes nos últimos anos. O crescimento comercial da categoria elevou o preço dos ativos e tornou mais complexas as movimentações societárias.
Historicamente, equipes que antes enfrentavam dificuldade para atrair investimento hoje negociam em patamares muito mais altos. Nesse contexto, a Alpine tenta capitalizar o momento, mas nem todos os compradores enxergam o mesmo valor projetado.
Interesse por ações da Alpine continua aberto
A saída da Mercedes não encerra o tema. Um consórcio liderado por Christian Horner, ex-chefe da Red Bull, aparece entre os interessados na participação da Otro Capital.
Isso indica que o ativo segue atraente no mercado, mesmo com a divergência de valuation. A questão central, agora, passa a ser encontrar um comprador disposto a aceitar a precificação pedida — ou renegociar o valor.
Gucci muda cenário comercial da equipe
A discussão sobre investimento acontece justamente em uma semana importante para a Alpine no campo comercial. A equipe anunciou um acordo de grande impacto com a Gucci, que assumirá o patrocínio máster e dará origem ao nome Gucci Racing Alpine a partir de 2027.
A mudança reforça a tentativa da estrutura de Enstone de reposicionar sua marca e ampliar apelo fora do paddock. Também ajuda a explicar por que a equipe e seus sócios tentam sustentar uma avaliação tão elevada no mercado.
Negociação fracassada expõe limite da Mercedes
No fim, a desistência mostra que a Mercedes tinha interesse estratégico, mas não a qualquer custo. A fabricante enxergava valor em ampliar sua presença ao redor da Alpine, porém recuou quando a conta deixou de fazer sentido sob a ótica financeira.
Em uma Fórmula 1 cada vez mais valorizada, o episódio reforça uma tendência importante: há mais dinheiro circulando no mercado de equipes, mas também mais rigor na hora de justificar cada investimento.
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