A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) estuda uma mudança significativa para a Fórmula 1 a partir de 2031. A proposta prevê o fim da dependência das equipes clientes em relação aos fabricantes de motores, com a possibilidade de adoção de unidades de potência fornecidas por empresas independentes. A ideia faz parte das discussões para o próximo ciclo de regulamentos, que também pode marcar o retorno dos motores V8.
O objetivo da entidade é reduzir custos, aumentar a independência esportiva das equipes e evitar que fabricantes exerçam influência sobre clientes por meio do fornecimento de motores.
FIA quer reduzir influência dos fabricantes
O presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, defende que nenhuma equipe dependa diretamente de uma montadora para competir.
Segundo o dirigente, a adoção de um fornecedor independente para as equipes clientes impediria qualquer tipo de pressão política ou esportiva relacionada ao fornecimento das unidades de potência.
“Não haverá controle da equipe A sobre a equipe B no que diz respeito ao fornecimento de motores. Se for viável financeiramente, teremos um único motor para as equipes clientes.”
A proposta faz parte da reformulação técnica prevista para a próxima década e acompanha as discussões sobre motores mais leves, baratos e com maior apelo sonoro.
Retorno dos V8 ganha força para 2031
Além da mudança no fornecimento de motores, FIA e Fórmula 1 trabalham para implementar o retorno dos tradicionais V8, substituindo o atual conceito híbrido.
O presidente da categoria, Stefano Domenicali, já havia defendido anteriormente a necessidade de criar um regulamento mais simples, reduzindo custos e ampliando a flexibilidade para o futuro da categoria.
Segundo Domenicali, um fornecedor independente permitiria oferecer motores “prontos para uso”, em um modelo semelhante ao que a Cosworth desempenhou na Fórmula 1.
Modelo lembra a era Cosworth
Durante grande parte da história da Fórmula 1, diversas equipes utilizaram motores fornecidos por empresas independentes.
O exemplo mais marcante foi a Cosworth, responsável por equipar inúmeros times durante décadas. A fabricante permaneceu na categoria até 2013, antes de a introdução das complexas unidades híbridas, em 2014, praticamente inviabilizar esse modelo devido aos altos custos de desenvolvimento.
A proposta atual busca justamente recuperar parte dessa filosofia, oferecendo uma alternativa às equipes que não desejam investir em programas próprios de motores.
Fabricantes podem perder espaço
Atualmente, a maior parte do grid depende diretamente das fabricantes.
A Mercedes fornece motores para McLaren, Williams e Alpine. A Ferrari equipa Haas e Cadillac, enquanto a Red Bull Ford Powertrains abastece a Red Bull Racing e a Racing Bulls.
Já Audi e Aston Martin atuam como equipes de fábrica, enquanto a Cadillac prepara sua entrada como fabricante de motores a partir de 2029.
Caso o novo regulamento seja aprovado, parte dessas relações comerciais poderá deixar de existir, reduzindo a influência direta das montadoras sobre as equipes clientes.
Regulamento ainda depende de consenso
Embora a FIA tenha poder para implementar as mudanças a partir de 2031, quando termina o atual Pacto de Concórdia, a entidade busca construir um consenso com os fabricantes.
Uma decisão unilateral poderia comprometer o relacionamento com montadoras que investiram bilhões de dólares na categoria nos últimos anos.
Ainda assim, Ben Sulayem afirmou que alguns fabricantes demonstraram apoio à proposta e não descartou até mesmo antecipar a chegada dos V8 para 2030, caso haja aprovação da maioria dos atuais fornecedores de motores.
Enquanto isso, equipes como a McLaren acompanham as discussões, mas já deixaram claro que não pretendem criar uma operação própria de fabricação de motores, preferindo manter um modelo baseado em fornecimento externo.
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