Isack Hadjar pode enfrentar seu maior desafio desde que chegou à Red Bull na Fórmula 1. Em análise publicada nesta segunda-feira (19) pelo portal RACER, o jornalista Edd Straw aponta que a recente evolução do RB22 e a volta de Max Verstappen ao grupo dos pilotos capazes de brigar por vitórias podem ampliar a diferença de desempenho entre os companheiros nas próximas etapas de 2026.
O francês já garantiu permanência na equipe para 2027 e apresentou números competitivos em comparação com Verstappen. O cenário, porém, pode mudar com o carro mais ajustado ao estilo de pilotagem do tetracampeão, aumentando a exigência sobre Hadjar na reta final da temporada.
A evolução da Red Bull muda o cenário
Um dos principais fatores apontados por Straw é o pacote de atualizações introduzido pela Red Bull no assoalho e nas laterais do carro, a partir do GP do Azerbaijão. As mudanças ajudaram a melhorar o equilíbrio do monoposto e deram a Verstappen uma sensação de maior conexão com o carro.
Essa característica é particularmente importante para o holandês. Em seu melhor nível, Verstappen consegue explorar os limites de aderência e tolerar instabilidade na traseira do carro, transformando esse comportamento em velocidade nas entradas e saídas de curva.
Quando o carro oferece esse nível de resposta, a diferença para os companheiros tende a ficar mais evidente. Não significa necessariamente que o equipamento seja desenvolvido para favorecer Verstappen, mas que o piloto consegue extrair mais de um conjunto que exige precisão e confiança.
Hadjar também reconheceu a evolução do RB22 após retornar de uma lesão no punho. O francês afirmou ter encontrado um carro muito melhor do que aquele que havia pilotado antes da pausa de verão, sinal de que as atualizações beneficiaram o conjunto como um todo.
Hadjar apresenta números sólidos, mas ainda tem margem para evoluir
Os resultados mostram que Hadjar não tem feito uma temporada ruim. Segundo os dados reunidos pela RACER, o francês marcou 52,4% dos pontos de Verstappen em 2026, mesmo tendo perdido três etapas por causa da lesão no punho. Entre as 16 duplas de companheiros que o holandês já teve na Fórmula 1, o desempenho de Hadjar aparece como o sexto melhor nesse critério.
Na classificação, a diferença média entre os dois ficou pouco acima de dois décimos de segundo nas sessões em que a comparação foi considerada justa. O francês também conquistou pódios e mostrou capacidade para acompanhar o ritmo do companheiro em determinados momentos.
O próprio Hadjar, no entanto, reconhece que ainda precisa melhorar a gestão de corrida. A capacidade de administrar pneus, ritmo e desempenho ao longo de um stint é uma das áreas em que Verstappen costuma estabelecer vantagem sobre os adversários.
O desafio técnico de acompanhar Verstappen
Um dos exemplos citados na análise foi o comportamento dos dois pilotos nas frenagens. Em Singapura, Hadjar tendia a frear um pouco mais tarde que Verstappen, mas essa abordagem nem sempre permite que o carro complete a rotação necessária para acelerar mais cedo na saída da curva.
Verstappen costuma antecipar a frenagem e liberar o freio de maneira controlada, ajudando a posicionar o carro para a saída. Quando consegue combinar essa técnica com estabilidade suficiente na traseira, ganha tempo sem depender exclusivamente de uma entrada mais agressiva.
É uma diferença sutil, mas decisiva na Fórmula 1. Ao tentar compensar a velocidade do companheiro freando mais tarde, um piloto pode perder eficiência na rotação do carro e demorar mais para colocar potência no chão.
A análise também ressalta que o fim de semana de Singapura não oferece uma comparação definitiva. Hadjar enfrentou problemas técnicos e erros que comprometeram sua classificação, enquanto Verstappen teve condições mais favoráveis para mostrar o potencial do carro.
Um histórico difícil para os companheiros de Verstappen
A pressão não é novidade para quem ocupa o outro lado da garagem da Red Bull. Pierre Gasly, Alex Albon, Sergio Pérez, Liam Lawson e Yuki Tsunoda tiveram dificuldades, em diferentes momentos, para acompanhar Verstappen.
Isso não significa que esses pilotos sejam incapazes. Gasly e Albon, por exemplo, construíram carreiras competitivas fora da equipe, enquanto Pérez conquistou vitórias e pódios durante sua passagem pela Red Bull. O problema está na referência extremamente alta estabelecida pelo holandês.
Lawson e Tsunoda também passaram pela equipe principal antes de perderem seus lugares em meio às mudanças de formação. Hadjar, portanto, tenta superar um histórico recente que tornou a vaga ao lado de Verstappen uma das mais exigentes do grid.
A diferença agora é que o francês já tem sua continuidade confirmada para 2027. Isso oferece estabilidade contratual, mas não elimina a cobrança esportiva: a equipe espera que ele continue evoluindo enquanto a Red Bull tenta manter o carro na frente.
O próximo passo de Hadjar
A temporada de 2026 representa uma oportunidade para Hadjar provar que pode ir além de um início promissor. A velocidade em volta lançada já apareceu em diferentes momentos, mas o desafio será transformar esse potencial em consistência durante todo o fim de semana.
Com o RB22 mais competitivo, a tendência é que Verstappen consiga explorar ainda melhor os limites do carro. Para Hadjar, isso significa aprender a extrair mais do equipamento, aperfeiçoar a gestão dos pneus e reduzir as diferenças nos momentos decisivos.
O objetivo realista não precisa ser superar Verstappen em todas as corridas. A questão será manter uma distância competitiva, aproveitar as oportunidades de pódio e contribuir para os resultados da equipe.
A análise da RACER aponta que o francês já construiu uma base positiva. Agora, diante de um Verstappen potencialmente mais forte e de uma Red Bull em evolução, Hadjar terá de mostrar que consegue continuar crescendo sob uma das maiores pressões da Fórmula 1.
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