Lucas Di Grassi relembrou, nesta quinta-feira (13), em Londres, sua participação na criação da Fórmula E e afirmou sentir orgulho pela evolução da categoria. Além de competir desde a temporada inaugural, o brasileiro colaborou na estruturação inicial do campeonato, usando contatos no automobilismo para atrair equipes, patrocinadores e pilotos.
Em entrevista coletiva antes da rodada dupla do eP de Londres, Di Grassi explicou que começou a trabalhar no projeto em julho de 2012, quando a categoria ainda não tinha um carro pronto para apresentar ao mercado. O primeiro modelo só foi concluído em dezembro de 2013, poucos meses antes da estreia do campeonato.
“Além do que conquistei nas pistas, tenho muito orgulho de ter ajudado a criar o ecossistema da Fórmula E desde o início”, declarou o piloto da Lola Yamaha.
Di Grassi usou contatos da F1 para fortalecer Fórmula E
O brasileiro afirmou que sua experiência anterior na Fórmula 1 foi importante para abrir portas e levar organizações de peso ao novo campeonato elétrico. Segundo ele, a construção da categoria exigia credibilidade em um período no qual a Fórmula E ainda precisava provar sua viabilidade esportiva e comercial.
“Não fui contratado para desenvolver nada, fui contratado para estruturar o negócio, porque não tínhamos nem carro. Quando Alejandro me chamou, em julho de 2012, só tivemos um carro em dezembro de 2013”, explicou.
Di Grassi citou a participação direta na chegada da Virgin Racing, da Audi e da ABT, além de parceiros comerciais como Julius Baer e CBMM. O piloto também criou um programa voltado à atração de competidores de alto nível.
“Trouxe a Virgin Racing por causa da minha ligação com eles na F1, trouxe a Audi e a ABT também para a Fórmula E. Trouxe patrocinadores como a Julius Baer e a CBMM, além de outras equipes e pilotos”, recordou.
Programa de pilotos ajudou categoria a ganhar credibilidade
Um dos mecanismos criados no início da Fórmula E foi um programa que oferecia apoio financeiro às equipes para contratar pilotos experientes. A estratégia buscava elevar o nível técnico do grid e acelerar a aceitação da categoria no mercado internacional.
“Criei o programa de pilotos, que era uma forma de atrair pilotos de alto nível e garantir um desconto financeiro para as equipes logo no início”, afirmou Di Grassi.
Campeão da temporada 2016/17, o brasileiro é uma das figuras centrais da história da Fórmula E. Ele participou da primeira corrida da categoria, em Pequim, em 2014, e esteve presente em todas as fases da evolução técnica do campeonato, do Gen1 ao atual ciclo que antecede a chegada do Gen4.
Crescimento sustentável é prioridade para Di Grassi
Questionado sobre a possibilidade de a Fórmula E alcançar, no futuro, um nível de popularidade semelhante ao da Fórmula 1 ou da MotoGP, Di Grassi evitou comparações diretas. Para o piloto, o principal indicador deve ser a expansão contínua de público, engajamento e investimento.
“Quanto à popularidade, acho que a Fórmula E pode crescer mais. Se vai superar a MotoGP ou a F1, não acho que essa seja a comparação”, disse.
Di Grassi apontou que o crescimento de fãs pode impulsionar patrocinadores, cobertura jornalística, equipes e pilotos, formando um ciclo de fortalecimento para a categoria. “É um efeito bola de neve”, concluiu.
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