A Ferrari aguarda apenas a oficialização da FIA para estrear no GP da Áustria de Fórmula 1, em Spielberg, a terceira unidade de potência 067/6, equipada com as modificações concedidas pelo ADUO (Oportunidades Adicionais de Desenvolvimento e Upgrades). A novidade chega após a vitória de Lewis Hamilton em Barcelona e tem como objetivo principal reduzir a diferença de potência em relação ao Mercedes M17 E Performance, considerado o melhor propulsor do grid em 2026.
Parceria com a Shell e novo combustível dedicado
O ganho de desempenho é fruto da colaboração entre a equipe de motores comandada por Enrico Gualtieri, em Maranello, e o laboratório da Shell em Hamburgo, responsável pelo desenvolvimento de um novo combustível homologado especificamente para esta configuração do propulsor italiano.
A divisão exata entre o ganho proveniente da gasolina e o das modificações mecânicas autorizadas pela FIA é difícil de mensurar, mas o efeito combinado deve ser sensível em pistas de alta exigência energética como a do Red Bull Ring.
Conceito “quente”: câmara de combustão acima de 115°C
A grande aposta técnica da Ferrari é manter a filosofia do motor “quente”. Para suportar temperaturas que inviabilizariam a estrutura tradicional, a Scuderia adotou um cabeçote em liga de aço — solução pouco convencional no paddock — em vez do clássico alumínio, que sofreria falhas estruturais sob carga térmica elevada.
Até aqui, o ar de admissão chegava ao intercooler a mais de 100°C, contra os 60-70°C da concorrência. A partir da Áustria, esse limite sobe para mais de 115°C, permitindo queima mais completa da gasolina, menos emissões e combustão mais eficiente, leia-se: mais potência.
SF-26 mais redondo após pacote de Miami
No chassi, o SF-26 desenvolvido sob a batuta de Loic Serra chega à Áustria com o segundo pacote de atualização aerodinâmica da temporada, após o de Miami. A combinação de redução de arrasto e maior carga transformou o carro no que melhor geriu o desgaste de pneus na “fornalha” de Barcelona, encerrando a hegemonia da Mercedes, vencedora das seis primeiras corridas de 2026.
A vitória em Barcelona quebrou um jejum de 34 GPs sem triunfos da Scuderia — a maior seca da equipe em mais de uma década e meia — e devolveu fôlego político ao projeto técnico de Maranello.
Leclerc busca virada técnica e psicológica
A Ferrari ainda investiga o apagão eletrônico no sistema hidráulico que deixou Charles Leclerc sem direção assistida, brake-by-wire e aerodinâmica ativa em Barcelona. Os engenheiros suspeitam de conexão com o problema que provocou a escapada do monegasco na Antony Noghes, em Monte Carlo.
Historicamente forte em Spielberg, o monegasco vê a Áustria como oportunidade para reencontrar confiança no SF-26. A reação da concorrência, no entanto, promete ser dura: a Red Bull programou para sua corrida de casa a estreia de um importante pacote de novidades.
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