O presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, reforçou na terça-feira (2), em vídeo publicado nas redes sociais, o compromisso de trazer os motores V8 de volta à Fórmula 1 até 2031, porque entende que a categoria precisa de unidades mais leves, simples e baratas, sem abrir mão do uso de combustíveis sustentáveis. A declaração surge em meio ao debate técnico sobre os motores híbridos atuais e às dificuldades discutidas para o regulamento de 2027.
Ben Sulayem define prazo para retorno dos V8
Ben Sulayem voltou a tratar o tema de forma pública e estabeleceu um horizonte claro para a mudança. Segundo ele, a FIA trabalha para incluir os V8 no próximo ciclo regulatório da categoria.
“Estou comprometido em trazer os motores V8 de volta à F1. De preferência até 2030, mas certamente até 2031, como parte do próximo ciclo de regulamentos da FIA”, afirmou.
Na mesma fala, o dirigente defendeu o retorno sob a ótica técnica e financeira.
“Os V8 são mais leves, mais simples e mais econômicos, enquanto os combustíveis sustentáveis permitem que eles continuem alinhados às nossas ambições ambientais”, disse Ben Sulayem.
Debate atual fortalece discurso da FIA
A fala do presidente da FIA não acontece por acaso. O tema ganhou força enquanto a categoria discute ajustes no regulamento das unidades de potência, especialmente após críticas ao peso da recuperação de energia e à perda de velocidade em certas retas.
Com a participação elétrica em alta, pilotos e equipes passaram a questionar a necessidade de manobras como lift and coast e os efeitos de gerenciamento extremo de energia. O tema ficou ainda mais sensível após intervenções feitas a partir do GP de Miami.
Mudança para 2027 enfrenta resistência
Ao mesmo tempo, a F1 discute elevar a potência do motor térmico em cerca de 50 kW, com aumento do fluxo de combustível. A proposta, porém, esbarra em custo e prazo de desenvolvimento.
Segundo o portal The Race, durante o fim de semana do GP do Canadá, seriam necessários quatro votos entre seis fabricantes para aprovar a mudança imediata. No cenário atual, apenas Mercedes e Red Bull apoiam o ajuste já para 2027.
Esse contexto ajuda a explicar por que Ben Sulayem insiste em olhar além da crise imediata. A leitura da FIA é que, sem uma solução estrutural no próximo ciclo, a categoria corre o risco de repetir o mesmo impasse regulatório nos próximos anos.
V8 voltam ao centro do debate técnico
Os motores V8 deixaram a Fórmula 1 ao fim de 2013, quando a categoria iniciou a era híbrida em 2014 com os V6 turbo. Desde então, a F1 ganhou eficiência energética e relevância tecnológica para as montadoras, mas também abriu mão de parte do apelo sonoro e da simplicidade mecânica das gerações anteriores.
É justamente esse ponto que Ben Sulayem tenta recuperar no discurso público. Para o dirigente, o retorno dos V8 pode combinar identidade histórica da categoria com o avanço dos combustíveis sustentáveis.
“Mais importante ainda, eles trazem de volta o som único e visceral que os fãs de todo o mundo associam à F1”, declarou Ben Sulayem.
Próximo ciclo pode redefinir identidade da F1
A discussão vai além do som. O que está em jogo é o modelo de motor que a Fórmula 1 quer adotar depois do atual ciclo híbrido. De um lado, estão as exigências de eficiência, custo e interesse das fabricantes. De outro, a pressão por carros menos complexos, mais leves e mais conectados à identidade histórica da categoria.
Ao fixar 2031 como limite, a FIA transforma a proposta dos V8 em objetivo político e técnico. Resta saber se o paddock conseguirá alinhar essa visão com os interesses das montadoras antes que o próximo regulamento entre em fase decisiva.
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