A FIA apresentou uma nova proposta para o motor da F1 em 2027 nos bastidores do paddock, em meio às discussões que avançam antes do fim de semana de Mônaco, porque o plano inicial de repartição 60-40 entre combustão e potência elétrica está perto de ser rejeitado pelas montadoras. O movimento da entidade tenta reduzir a resistência política e, ao mesmo tempo, evitar uma reformulação ampla de carros e motores em prazo muito curto.
Proposta 60-40 perde força entre fabricantes
A ideia original da FIA era deslocar o equilíbrio do conjunto híbrido mais a favor da combustão. Na prática, isso levaria o regulamento para uma divisão próxima de 60% combustão e 40% elétrica, diferente do conceito de 2026, que trabalha perto de um equilíbrio quase igual entre as duas fontes.
O problema é político e técnico. Para aprovar a mudança, a federação precisa de apoio suficiente entre as fabricantes com direito a voto, e o cenário hoje aponta resistência majoritária.
Segundo o quadro atual descrito na discussão, Mercedes e Red Bull-Ford Powertrains apoiam o 60-40, enquanto Audi, Honda e Ferrari se posicionam contra. A Cadillac mantém discurso mais neutro, mas também tende ao não.
Nova alternativa tenta evitar revolução técnica
Diante desse impasse, a FIA passou a trabalhar com uma solução intermediária. Em vez de um salto brusco para 60-40, a proposta em debate agora prevê um aumento bem menor da potência do motor a combustão.
Esse ajuste levaria a uma relação mais próxima de 52-48, com ganho limitado a cerca de 5%, e não aos 13% discutidos inicialmente. A lógica é simples: aliviar o problema sem obrigar as equipes a redesenhar praticamente metade do carro.
O que trava a proposta original
O plano 60-40 esbarra em três frentes principais. A primeira é o próprio motor V6, que precisaria ser revisto para suportar o novo cenário de potência.
A segunda é a transmissão, já que câmbio e unidade de potência foram concebidos dentro de um limite específico. Alterar um elemento desse pacote impacta diretamente o outro.
A terceira frente é o chassi. Com aumento de consumo, os tanques atuais podem deixar de ser suficientes, o que abriria necessidade de rever também a arquitetura do carro.
Debate vai além de desempenho
A questão não é apenas extrair mais potência da combustão. O debate gira também em torno de tempo de desenvolvimento, confiabilidade e custos.
No estágio atual do calendário técnico, uma mudança estrutural para 2027 pressionaria fabricantes e equipes em um momento em que boa parte da força de trabalho já está dedicada ao regulamento novo. É justamente por isso que algumas marcas resistem a uma alteração tão grande no meio do processo.
Mônaco pode virar ponto de virada
A expectativa é que o fim de semana de Mônaco sirva como palco de novas conversas para destravar o tema. A FIA busca um consenso que reduza divisões e permita avançar sem provocar uma guerra política entre fabricantes.
O tempo, porém, virou fator central. Quanto mais a decisão atrasar, menor será a margem para ajustes técnicos seguros antes da homologação.
Por que a F1 discute isso agora
O pano de fundo da discussão está no regulamento de 2026, que inaugura uma nova fase dos motores híbridos da categoria. A proposta nasceu com forte peso da parte elétrica, mas as primeiras simulações e preocupações sobre pistas mais exigentes levantaram alertas sobre clipping, recarga e uso de energia ao longo da volta.
Por isso, a FIA tenta agir antes que o problema vire crise esportiva. A intenção é impedir corridas em que a gestão de energia comprometa demais a performance em certos circuitos.
Impasse expõe disputa de interesses no paddock
A discussão também tem um lado estratégico. Há quem veja no apoio de Mercedes e Red Bull-Ford Powertrains ao 60-40 uma oportunidade para essas estruturas ampliarem vantagem, sobretudo se não precisarem redistribuir tantos recursos internos quanto os rivais.
Já Audi e Honda pressionam por um compromisso mais gradual, enquanto a Ferrari mantém posição mais dura de rejeição. O resultado é um tabuleiro em que o debate regulatório mistura engenharia, política e competitividade futura.
Histórico mostra como motores definem eras da F1
A Fórmula 1 sempre foi moldada por ciclos de motor. Foi assim na era dos V10, nos anos dos V8 aspirados e também desde a introdução dos atuais híbridos em 2014, quando a vantagem técnica inicial de algumas fabricantes redefiniu forças no grid.
É por isso que a decisão sobre 2027 tem peso tão grande. Mais do que uma simples correção de regulamento, ela pode influenciar o equilíbrio competitivo de toda a próxima fase da categoria.
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