Quatro vezes vencedor das 500 Milhas de Indianápolis, Hélio Castroneves segue desafiando o tempo — e a história. Aos 51 anos, o brasileiro retorna ao lendário oval de Indianápolis com a chance de conquistar um feito inédito: se tornar o primeiro piloto da história a vencer a prova cinco vezes. Mas, para quem construiu uma das trajetórias mais marcantes do automobilismo mundial, a pressão já deu lugar à motivação.
Em entrevista exclusiva à Racer Media, Castroneves falou sobre a emoção de voltar mais uma vez ao “seu lugar no mundo”, comentou as mudanças na preparação física ao longo da carreira, analisou os desafios atuais da Indy 500 e ainda revelou quais jovens talentos mais chamam sua atenção no grid — com elogios especiais ao brasileiro Caio Collet.
Entre histórias, reflexões e o tradicional bom humor, Helio também abriu o coração sobre legado, amadurecimento e o amor inabalável pelo automobilismo. E, claro, deixou no ar a promessa de que ainda está pronto para escalar muito alambrado caso a quinta vitória finalmente aconteça.
Você volta mais uma vez para Indianápolis e tem a chance de conquistar a quinta vitória. Como está sendo emocionalmente? Você ainda se pressiona ou agora existe menos pressão por conta de toda sua história?
Não importa quantas corridas eu já fiz aqui, todo ano é uma emoção forte. É aqui o lugar onde conquistei as maiores glórias da minha carreira e me sinto verdadeiramente em casa. Até nome de rua eu sou aqui (risos). Mas, com o passar do tempo, a gente vai amadurecendo, aquela pressão que prejudica vai dando lugar para uma coisa boa, que acaba virando emoção e motivação. Acho que é isso que acontece comigo agora. Claro que ser o único cara do planeta com chances de vencer a Indy 500 pela quinta vez é algo sensacional, mas não me sinto pressionado. Motivado, sim, é uma grande motivação para estar aqui novamente.
O que mudou na sua preparação física e mental para encarar uma Indy 500 depois dos 50 anos?
Para ser honesto com você, não mudou nada pelo fato de ter feito 51 anos. Fisicamente, sempre me dediquei a estar da melhor forma possível. Tenho um programa diário de preparação física desde meu tempo de moleque, que obviamente se intensificou depois que me tornei um piloto profissional. Para falar a verdade, nunca parei de fazer exercícios. Tudo começou lá no kart e fui aprimorando de acordo com as exigências de cada momento de minha carreira. O que mudou, com a idade, foi a intensidade do exercício. Nunca fui um cara de fazer exercício com alto risco de contusão, essa nunca foi minha praia, então, o que mudou foi que fui substituindo exercícios de muita intensidade por outros com foco na eficiência, resistência, essas coisas. Também, pudera, para manter esse corpinho tem de suar (risos).
O que ficou mais desafiador em Indianápolis ao longo dos anos?
Honestamente, o desafio da Indy 500 não mudou, é sempre o mesmo. É uma corrida de resistência física e mental, que você não ganha na primeira curva, mas pode perder na primeira curva. Então, o segredo é conseguir um ótimo acerto e ser rápido o suficiente para estar no bolo da frente nas primeiras 150 voltas. Isso você consegue não abusando do carro, não fazendo besteira, não se envolvendo em acidentes, cuidando dos pneus e economizando combustível. É ir nessa tocada para, nas 50 voltas finais, que é quando o bicho pega, estar com reserva técnica e a faca nos dentes para ir para as cabeças. É isso.
Temos vários rookies e jovens talentos chegando. Você se vê como referência para essa nova geração? Alguém te procura para conselhos?
Referência? Boa pergunta, mas precisa perguntar para eles (risos). Falando sério, aqui na Indy a proximidade entre os pilotos é muito maior do que em outras categorias, então, apesar de concorrentes, a gente conversa bastante. Então, naturalmente muita gente vem perguntar coisas em função da experiência que eu tenho, que o Tony tem, era assim com o Gil também e um com monte mais de gente. E, sim, acontece de gente me procurar pedindo conselho, mas como se conselho fosse bom a gente vendia, o máximo que consigo fazer é contar como aconteceu comigo, de forma bem honesta, sem a sacanagem de alguns: “Pra que lado eu viro?” Aí o fela da … diz que é para a direita quando o certo é para a esquerda (risos).
Qual piloto jovem hoje te chama mais atenção no grid?
Sem dúvida o Caio Collet. O cara é super gente boa, talentoso, dedicado e, anote aí, tenho certeza de que fará muito sucesso na Indy.

O que Indianápolis representa na sua vida?
Vou resumir numa frase; Indianapolis é a minha casa e não há nada melhor do que estar na casa da gente.
Existe algum erro ou decisão passada na sua carreira que você mudaria se pudesse?
Cara, eu sou muito otimista e sempre tento fazer do limão uma limonada. O que passou, passou, mas sempre representou experiência e aprendizado para seguir em frente com mais maturidade e equilíbrio. É isso aí, vamos que vamos.
Quando decidir parar de correr, como gostaria de ser lembrado por quem ama o automobilismo?
Eu já comecei a transição, pois hoje sou piloto e dono de equipe. Quando parar de correr, o que não vai acontecer agora, vou ser só dono de equipe. Então, acho que vão lembrar do Castroneves como um cara que amou tanto o automobilismo que dedicou uma vida inteira dele a isso, dentro e fora das pistas.
Para terminarmos… se a quinta vitória vier, já imaginou como vai ser a comemoração? Ainda consegue imitar o Homem-Aranha?
Opa, olha pra mim. Estou em forma e bem preparado para escalar muito alambrado ainda (risos).
A tradicional 500 Milhas de Indianápolis será disputada neste domingo, 24 de maio, no lendário Indianapolis Motor Speedway. A largada está prevista para 13h45 no horário de Brasília, com transmissão ao vivo pela Band na TV aberta e pela ESPN na TV fechada e streaming
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