Spa-Francorchamps nunca decepciona, mas o que vivemos nestas 6 Horas de Spa em 2026 foi, sem dúvida, um dos capítulos mais emocionantes da história recente do WEC. Escrevo este post ainda processando o som dos motores ecoando pelas Ardenas e o choque de ver a hegemonia das gigantes ser desafiada de forma tão categórica.
A Redenção da BMW: O “Dobra” Histórico da WRT
Se alguém me dissesse na manhã de sábado, após uma classificação discreta, que a BMW M Team WRT sairia com uma dobradinha, eu dificilmente acreditaria. Mas endurance é estratégia, paciência e, claro, um pouco de “mágica” nos boxes.
A vitória do BMW M Hybrid V8 #20, pilotado por Robin Frijns, René Rast e Sheldon van der Linde, não foi apenas um triunfo; foi um desabafo. Ver a marca bávara vencer na classe principal pela primeira vez desde Le Mans 1999 trouxe um sentimento de nostalgia misturado com a certeza de que o projeto finalmente maturou.
O fator chave: A leitura perfeita dos períodos de Safety Car. Enquanto outros hesitaram, a WRT foi agressiva e colocou o #20 na liderança virtual, sustentada por um ritmo de prova que simplesmente não existia no dia anterior.
Pódio completo: O carro #15, de Kevin Magnussen, Raffaele Marciello e Dries Vanthoor, garantiu o segundo lugar, resistindo à pressão absurda da Ferrari #50, que fechou o pódio.
LMGT3: Drama e a Glória da McLaren
Na classe LMGT3, o roteiro foi digno de cinema. Na pista, a Ferrari #21 da Vista AF Corse cruzou a linha em primeiro, mas o automobilismo é decidido nos detalhes (e no regulamento).
Uma punição de 5 segundos por um unsafe release (liberação perigosa nos boxes) jogou o trio da Ferrari para o quarto lugar, abrindo caminho para a Garage 59.
A vitória caiu nas mãos do McLaren 720S GT3 Evo #10, pilotado por James Cottingham, Nicolas Costa e Grégoire Saucy (ou os vencedores da etapa conforme os dados oficiais da prova). Foi uma vitória de “redenção”, especialmente após os problemas enfrentados na etapa anterior em Imola. O Aston Martin da Heart of Racing e o Porsche da Manthey completaram o pódio, provando que a diversidade de marcas na categoria GT3 é o maior trunfo do WEC atual.
O que fica para Le Mans?
Saímos de Spa com a BMW provando que é uma ameaça real e a Ferrari mostrando que, apesar dos erros operacionais, o 499P continua sendo o carro a ser batido em ritmo puro.
O “Templo da Velocidade” nos deu o aperitivo perfeito. Agora, todos os caminhos levam a La Sarthe. Quem você aposta para a grande centenária em junho?