No dia 27 de agosto de 1978, a Team Lotus conquistou matematicamente o seu sétimo e último título do Mundial de Construtores da Fórmula 1 ao cravar uma dobradinha com Mario Andretti e Ronnie Peterson no GP da Holanda, disputado em Zandvoort. O triunfo dominante do norte-americano, seguido de perto pelo piloto sueco, abriu uma vantagem inalcançável de pontos sobre a rival Brabham, consolidando a histórica supremacia técnica do revolucionário modelo Lotus 79.
A prova holandesa marcou a 12ª vitória na carreira de Andretti, tornando-se o seu último triunfo na categoria máxima e, simultaneamente, a última vitória de um piloto norte-americano na F1 até os dias de hoje.
Domínio absoluto e superioridade do efeito solo
Com o conceito de efeito solo lapidado de forma magistral por Colin Chapman, a Lotus chegou a Zandvoort vivendo uma fase dominante, somando sete vitórias nas doze corridas anteriores do calendário. A classificação no litoral holandês apenas refletiu a superioridade do monoposto preto e dourado.
Andretti garantiu a pole position com o tempo de 1m16s36, superando Peterson por 0s61 na primeira fila. O austríaco Niki Lauda, da Brabham, ficou com o terceiro posto a mais de um segundo de desvantagem, dividindo a segunda fila com Carlos Reutemann, da Ferrari.
O grid contou ainda com dois representantes brasileiros na disputa: o bicampeão mundial Emerson Fittipaldi largou em décimo com a equipe Copersucar-Fittipaldi, enquanto o jovem Nelson Piquet partiu da 26ª posição a bordo de um McLaren M23 alugado pela BS Fabrications.
Dobradinha em formação e controle total da corrida
Na largada, Andretti e Peterson mantiveram a ponta e abriram distância com autoridade sobre Lauda. Peterson, cumprindo a hierarquia contratual de segundo piloto da equipe, manteve-se colado ao líder durante toda a prova, funcionando como um verdadeiro escudo protetor contra as investidas do austríaco.
Mesmo com problemas na refrigeração dos freios por andar no vácuo do companheiro, o sueco administrou a pressão de Lauda, que vinha forçando o ritmo e marcou a volta mais rápida da corrida.
Nas voltas finais, Lauda perdeu rendimento e se acomodou no terceiro posto. Peterson ainda colocou o carro de lado nas zonas de frenagem para demonstrar velocidade, mas cruzou a linha de chegada a apenas 0s3 de Andretti, selando a dobradinha.
O último título de Construtores da dinastia Chapman
A vitória em Zandvoort levou a Lotus aos 85 pontos no Mundial de Construtores, contra 44 da vice-líder Brabham. Pelo regulamento da época, que computava apenas o resultado do melhor carro de cada escuderia por prova, a equipe britânica garantiu a taça de forma antecipada, celebrando sua sétima e definitiva coroa de equipes.
No Mundial de Pilotos, Andretti abriu 12 pontos sobre Peterson na liderança com 27 ainda em disputa. O título de pilotos do norte-americano seria consumado na etapa seguinte, em Monza, marcada pelo trágico acidente que tirou a vida de Ronnie Peterson na largada do GP da Itália.
Aquele domingo ensolarado na Holanda consagrou em definitivo o ápice do lendário Lotus 79 e a última grande celebração coletiva de título mundial da fábrica de Hethel.
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