A FIA decidiu revisar o ranking do ADUO dos motores da F1 2026 após um pedido de esclarecimento da Red Bull, que contestou a classificação inicial da própria unidade de potência como referência do grid. A reanálise foi motivada pela divergência entre os dados da federação e as leituras internas da equipe taurina, segundo informou o portal inglês The Race nesta quinta-feira (11).
FIA reabre análise do ADUO na F1 2026
O ADUO — sigla para Oportunidades Adicionais de Desenvolvimento e Atualização — foi incluído no regulamento técnico de 2026 para permitir compensações a fabricantes que apresentem déficit de desempenho em relação à concorrência.
A lógica do sistema é simples: quanto maior a defasagem medida pela FIA, maior a possibilidade de atualizações liberadas durante a vigência do novo regulamento de motores.
Segundo o The Race, a revisão será feita com base nos dados das cinco primeiras corridas da temporada. A federação também vai considerar as informações captadas pelos sensores de potência instalados em cada carro.
Red Bull questiona critério usado pela federação
A insatisfação da Red Bull surgiu porque o levantamento inicial colocou a fabricante no topo da lista como motor de referência de 2026, o que a deixaria sem o mesmo nível de concessões dado a rivais diretas.
O ponto central da discussão é que a análise da FIA considera apenas o desempenho do motor de combustão interna (ICE). Ficam fora da conta itens como bateria, ERS e eficiência de regeneração de energia.
Essa separação ajuda a explicar a controvérsia. Internamente, a Red Bull entendia que a Mercedes ainda estava à frente também no motor a combustão, enquanto o modelo da FIA produziu leitura diferente.
Mercedes e Ferrari aparecem como elegíveis
De acordo com o cenário divulgado após Mônaco, a Mercedes foi considerada 2% atrás da Red Bull no ICE, margem suficiente para liberar uma atualização em 2026 e outra em 2027.
Já a Ferrari apareceu 4% abaixo, o que lhe daria direito a duas evoluções em 2026 e mais duas no ano seguinte.
O quadro chamou atenção porque a vantagem da Mercedes na gestão da parte elétrica ficou fora da medição. Na prática, isso alterou bastante a percepção sobre qual fabricante realmente lidera o pacote completo de unidade de potência.
Revisão pode mudar leitura sobre força dos motores
A decisão da FIA de reabrir a análise mostra o peso político e técnico do novo regulamento de 2026. Em ciclos de mudança profunda de motor, qualquer mecanismo de compensação tende a ser decisivo para evitar desequilíbrios duradouros no grid.
Historicamente, a categoria sempre tentou limitar o risco de uma fabricante abrir vantagem grande demais em eras regulatórias novas. O ADUO entra justamente nesse contexto: preservar competitividade sem abrir o regulamento por completo.
Sistema de concessões vira ponto sensível do novo regulamento
No caso da Red Bull, a situação é ainda mais simbólica porque 2026 marca a estreia da operação própria de motores em parceria com a Ford. Ser tratada como referência logo no início do projeto contraria a expectativa inicial da equipe, que imaginava ter margem para receber concessões.
Por isso, a revisão não é apenas burocrática. Ela pode afetar diretamente o espaço de desenvolvimento das fabricantes ao longo de 2026 e 2027.
Mudança no ranking ainda não está garantida
A reavaliação, porém, não significa que a FIA necessariamente vai alterar a classificação divulgada após o GP de Mônaco. A federação apenas concordou em revisar os dados antes de emitir um novo parecer.
Além disso, o processo de monitoramento do ADUO ainda terá outras duas etapas previstas para depois dos GPs da Hungria e da Cidade do México.
Isso indica que o tema seguirá aberto por boa parte da temporada. E, em uma F1 cada vez mais sensível a detalhes de regulamento, a disputa pelos motores de 2026 já começou também fora da pista.
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