Flavio Briatore voltou a defender publicamente o aumento do número de corridas sprint na Fórmula 1, chegando a propor que todas as 24 etapas do calendário incluam o formato curto. Em entrevista ao portal The Race, o conselheiro-executivo da Alpine argumentou que a sprint é uma ferramenta essencial para engajar o público ao longo de todo o fim de semana e citou o movimento recorde de torcedores em Silverstone já na quinta-feira como evidência do impacto do formato no interesse dos fãs.
A declaração reacende um debate que já circula nos bastidores da categoria há meses. A FIA sinalizou intenção de ampliar o número de sprints para 12 por temporada, mas sem prazo definido e Briatore vai além, defendendo a universalização do formato.
De três para seis: a evolução das sprints na F1
As corridas sprint foram introduzidas na Fórmula 1 em 2021, com apenas três edições naquele ano. O número se manteve em 2022 antes de dobrar para seis em 2023, patamar que segue até a temporada atual de 2026.
No calendário vigente, as sprints da China, Miami, Canadá e Inglaterra já foram realizadas, com as etapas dos Países Baixos e de Singapura programadas para a segunda metade do ano. A discussão sobre a expansão do formato para outros GPs — e até sobre a adoção do grid invertido — já entrou na pauta oficial do paddock.
A trajetória de crescimento do formato reflete uma mudança de postura da F1 em relação ao entretenimento nos fins de semana de corrida, impulsionada pelo aumento exponencial do público global após a série Drive to Survive, da Netflix.
“Se dependesse de mim, todos os fins de semana seriam com sprint”
Briatore não poupou palavras ao defender sua posição. Para o italiano, o formato atual ainda deixa lacunas no programa de sexta-feira que prejudicam a experiência do espectador presencial.
“Ainda existem corridas em que não fazemos nada por eles na sexta-feira, quando a manhã é dedicada apenas aos testes técnicos. Você dá uma volta, volta para os boxes e pronto”, criticou. “Com as sprints, pelo menos há duas corridas, duas largadas, e o piloto disputa algo, não corre apenas pelos engenheiros”, completou.
O argumento de Briatore tem respaldo nos números de público. Em Silverstone, o conselheiro da Alpine relatou ter visto entre 20 mil e 30 mil pessoas já na quinta-feira — um contraste marcante com o cenário de dez anos atrás, quando as arquibancadas só enchiam no sábado e no domingo.
“Neste ano, quando cheguei a Silverstone na quinta-feira, parecia um domingo de sete anos atrás pela quantidade de gente que havia. Nunca tínhamos visto tanta gente em uma quinta-feira”, afirmou.
Crescimento garantido, mas sprint pode acelerar o processo
Briatore reconhece que a Fórmula 1 seguirá crescendo independentemente das mudanças no formato, mas defende que a expansão das sprints pode antecipar e ampliar esse movimento.
“Se continuarmos assim, a F1 continuará crescendo. Não sei até onde esse crescimento vai chegar, mas ele continuará. No entanto, também precisamos mudar um pouco as corridas. Na minha opinião, precisamos de sprints. Se dependesse de mim, com 24 corridas, haveria 24 sprints”, declarou.
A posição de Briatore não é unânime no paddock. Parte dos pilotos e equipes resiste à expansão do formato, argumentando que a sprint reduz o tempo de desenvolvimento técnico e aumenta o desgaste físico e operacional ao longo da temporada. O debate sobre o grid invertido — que também ganhou força recentemente — divide ainda mais as opiniões dentro da categoria.
A FIA e a Liberty Media seguem avaliando as opções para o calendário das próximas temporadas.
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