O britânico George Russell afirmou que a temporada 2026 da Fórmula 1 não definirá sua carreira nem o destruirá como competidor, mesmo diante da iminente conquista do título mundial pelo companheiro de equipe Andrea Kimi Antonelli. Em entrevista no dia de mídia do GP do México, o piloto da Mercedes reconheceu o ano abaixo das expectativas, mas rejeitou a ideia de que o resultado encerre seu potencial de disputar o campeonato nos próximos anos.
Apontado como um dos favoritos ao título antes da abertura do campeonato, Russell não confirmou a expectativa ao longo do ano. Além dos problemas de confiabilidade do carro alemão, seu próprio desempenho ficou abaixo do rendimento apresentado pelo italiano, que soma nove vitórias contra três do britânico, uma delas dominante na etapa de abertura, na Austrália.
A lição tirada de um ano de altos e baixos
“Provavelmente aprendi mais sobre mim mesmo este ano do que gostaria, para ser sincero”, admitiu Russell. “Os altos e baixos pelos quais passamos no esporte são imensos, e isso porque todos nós nos importamos muito com o que estamos fazendo”.
O britânico recorreu à longevidade de dois veteranos para relativizar o momento. “Mas eu me lembro que tenho 28 anos. Vejo que Lewis [Hamilton] ainda compete muito bem aos 41 e Fernando [Alonso] aos 44. Sabe, Lewis conquistou a maioria de seus títulos na casa dos 30, e este ano definitivamente não vai definir minha carreira como um todo. Isso não vai me destruir. Se alguma coisa, vai me tornar mais forte”.
A referência não é retórica. Hamilton faturou seis de seus sete títulos entre os 30 e os 36 anos, enquanto Alonso segue no grid aos 44, acumulando duas conquistas mundiais em 2005 e 2006, aos 24 e 25.
Resiliência e a busca por consistência
Russell classificou a irregularidade como o traço mais atípico de sua carreira até aqui. “Tenho muito orgulho da minha resiliência e de como me recuperei de momentos muito difíceis e, na verdade, nos meus piores momentos desta temporada, geralmente me recuperei de forma muito, muito forte — e então tive outra corrida ruim logo depois de uma boa”.
“Há algumas corridas atrás [no Azerbaijão], conquistamos a pole por oito décimos e vencemos a corrida, e então, na semana passada, terminei em oitavo. Nunca tive uma temporada como esta na minha carreira, em que o desempenho tenha oscilado tanto, e sei que o potencial está lá, porque não dá para ter um desempenho como aquele em Baku se você tivesse, digamos, perdido o jeito”, explicou.
“É só que estamos tendo dificuldade para manter uma alta taxa de acertos. Não sabemos por que isso está acontecendo, e nunca passamos por isso antes. Pessoalmente, nunca passei por isso na minha carreira, e acho que essa provavelmente será a minha prioridade nessas últimas corridas”, concluiu o britânico.
O caminho até a Mercedes e o peso da comparação
Campeão da Fórmula 2 em 2018, Russell chegou à F1 pela Williams em 2019, onde passou três temporadas em um carro pouco competitivo antes de ser promovido à Mercedes em 2022 — a mesma escuderia que o revelou como integrante do programa de jovens pilotos.
A temporada de 2026 impõe ao britânico um cenário incomum: pela primeira vez na Mercedes, ele é superado com folga por um companheiro de equipe em pontos e vitórias. Ainda assim, Russell mantém a aposta na própria capacidade de reação.
“E não acho que nenhum atleta, por melhor que seja, tenha todos os anos de sua carreira com desempenho no nível mais alto. Infelizmente, este ano, para mim, chegou talvez no momento em que eu mais precisava. Mas isso não significa, de forma alguma, o fim da minha jornada. Ainda tenho uns bons 12 a 15 anos pela frente”.
Com 242 pontos e 123 atrás de Antonelli, o britânico precisa vencer no México e torcer por um resultado fora do top-9 do italiano para manter a disputa viva nas quatro etapas restantes.
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