A Red Bull Ford Powertrains é considerada pela FIA como a fabricante com o motor de combustão interna mais forte da Fórmula 1 em 2026, segundo os dados dos dois primeiros períodos do ADUO. O sistema, criado para permitir atualizações às fabricantes mais deficitárias, deixou a equipe austríaca sem novos desenvolvimentos justamente porque seu ICE foi classificado no topo do campeonato.
Como funciona o ADUO na F1
O ADUO (Oportunidades Adicionais de Desenvolvimento e Atualização) foi criado para equilibrar o desenvolvimento das unidades de potência na nova era técnica da Fórmula 1.
O mecanismo considera as diferenças de desempenho entre os motores e concede oportunidades extras de atualização às fabricantes que apresentam maior déficit.
Na avaliação mais recente, Mercedes, Ferrari, Audi e Honda receberam diferentes níveis de possibilidade de desenvolvimento. A Red Bull, por outro lado, não ganhou tokens adicionais.
O ponto central está na metodologia: a FIA considera apenas a potência do motor de combustão interna (ICE) para estabelecer o ranking.
Isso significa que fatores como eficiência energética, gerenciamento da energia elétrica e desempenho do sistema híbrido não entram diretamente no cálculo utilizado pelo ADUO.
Red Bull tem o melhor ICE, mas enfrenta problemas no conjunto
Os dados obtidos pelo Motorsport.com indicam que o motor da Red Bull Ford permanece no topo do ranking de combustão interna.
A conclusão contrasta com o desempenho geral da equipe em 2026. O carro da Red Bull apresentou dificuldades especialmente relacionadas ao chassi, impedindo que a vantagem do motor se transformasse automaticamente em domínio na pista.
Além disso, Laurent Mekies já havia questionado publicamente a avaliação da FIA, argumentando que os dados não demonstravam que a Red Bull tivesse a melhor unidade de potência.
A entidade, porém, manteve sua posição após revisar as informações solicitadas pela equipe. Segundo Nikolas Tombazis, as medições utilizadas no processo estavam corretas.
A desvantagem da parte elétrica
O paradoxo fica ainda mais evidente quando o desempenho é analisado fora do dinamômetro.
A Red Bull apresenta limitações na parte elétrica da unidade de potência, principalmente em circuitos nos quais a recuperação e a utilização de energia têm peso maior no tempo de volta.
Como o ADUO não considera diretamente esses aspectos, a equipe não recebe autorização para trabalhar neles. O resultado é uma situação tecnicamente incomum: o motor é considerado o melhor no critério utilizado, mas o conjunto ainda possui áreas importantes para evolução.
A Mercedes, por exemplo, recebeu uma oportunidade de atualização por estar na faixa de déficit entre 2% e 4%. Ferrari, Audi e Honda, com déficit superior a 4%, receberam duas oportunidades adicionais em 2026.
Uma regra que acabou se voltando contra a Red Bull
O histórico da criação do ADUO ajuda a explicar o cenário atual.
Durante as discussões sobre o regulamento, em 2025, a Red Bull esteve entre as equipes que se opuseram à inclusão da classificação do campeonato como um dos critérios do sistema.
Naquele momento, a decisão fazia sentido do ponto de vista estratégico. A equipe era estreante como fabricante de motores e poderia imaginar que seu desempenho inicial seria inferior a 2% em relação às rivais.
O problema é que o cenário de 2026 foi diferente. O motor Red Bull Ford mostrou desempenho competitivo, enquanto o chassi ficou abaixo das expectativas.
Com isso, a classificação no campeonato poderia ter funcionado como uma espécie de mecanismo de compensação para a equipe — justamente o critério que a Red Bull ajudou a impedir que fosse utilizado.
O precedente histórico da nova era de motores
A situação evidencia uma das características mais complexas da nova geração de unidades de potência da F1.
A partir de 2026, a categoria passou a trabalhar com uma arquitetura que reduziu a dependência do MGU-H e aumentou significativamente a importância da componente elétrica.
Historicamente, a Fórmula 1 já utilizou mecanismos de equalização e restrições de desenvolvimento para tentar impedir que uma fabricante abrisse vantagem tecnológica praticamente impossível de recuperar.
O ADUO segue essa lógica, mas o caso da Red Bull mostra como um sistema criado para equilibrar a competição pode produzir resultados controversos quando diferentes áreas da unidade de potência apresentam desempenhos distintos.
No caso atual, a FIA considera que a Red Bull tem o melhor ICE de 2026. O paradoxo é que justamente essa classificação impede a equipe de utilizar o mecanismo de desenvolvimento criado para aproximar os concorrentes.
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