Emerson Fittipaldi Jr. vive uma temporada de aprendizado na Fórmula 2. O brasileiro chegou à categoria em 2026 após pular as etapas da FRECA e da Fórmula 3, levando consigo a experiência de três anos na Eurocup-3 para defender a AIX Racing. Mesmo em um equipamento ainda distante do pelotão da frente, o piloto mostrou ritmo para pontuar e brigar em posições relevantes.
Com dez pontos, Fittipaldi ocupa a 21ª colocação do campeonato após nove rodadas. O número, porém, não traduz integralmente os sinais positivos apresentados pelo brasileiro, especialmente em fins de semana nos quais conseguiu combinar velocidade, estratégia e leitura de corrida.
Salto da Eurocup-3 para a Fórmula 2 aumenta desafio
A escolha de Fittipaldi por subir diretamente à F2 representou uma rota incomum na escada de formação dos monopostos. A maior parte dos pilotos passa pela FRECA e pela Fórmula 3 antes de alcançar a principal categoria de acesso à Fórmula 1.
A diferença técnica é expressiva. Enquanto os carros da Eurocup-3 têm cerca de 270 cv, os modelos da Fórmula 2 chegam a aproximadamente 620 cv, além de exigirem maior adaptação ao peso, à carga aerodinâmica e ao gerenciamento de pneus.
As corridas principais, realizadas aos domingos, ampliam essa complexidade. A parada obrigatória nos boxes coloca estratégia e preservação dos compostos no centro da disputa, aspectos que exigem experiência e precisão dos pilotos.
AIX ainda busca consistência no pelotão da F2
Parte das dificuldades de Fittipaldi está ligada ao momento da própria AIX Racing. A equipe, que adquiriu a estrutura da PHM, ainda passa por um processo de reestruturação e não se consolidou entre os times mais competitivos do grid.
A equipe mostrou capacidade de resultados pontuais em 2025, quando conquistou pódios e duas vitórias com Joshua Dürksen. No entanto, o desempenho de 2026 tem sido irregular, limitando as oportunidades de seus pilotos em classificação e corrida.
Em uma categoria de equilíbrio técnico como a F2, a posição de largada costuma ser determinante. Por isso, extrair resultados fora do top-10, principalmente em circuitos de difícil ultrapassagem, representa um desafio adicional.
Mônaco e Canadá evidenciam potencial do brasileiro
O principal momento de Fittipaldi na temporada até aqui ocorreu em Mônaco. Depois de largar em 20º, o brasileiro e a AIX adotaram uma estratégia agressiva, com pit-stop já na décima volta.
Com pista livre, Fittipaldi sustentou ritmo competitivo e ganhou posições durante o ciclo de paradas dos adversários. Ao final da prova principal, cruzou a linha de chegada em sétimo, somando pontos importantes no campeonato.
No Canadá, o brasileiro voltou a demonstrar evolução. Após classificar-se em 11º, realizou uma corrida consistente na sprint e terminou em quinto lugar. A participação na corrida principal, porém, acabou com abandono.
Experiência será decisiva na reta final
Os resultados em Mônaco e Montreal mostram que Fittipaldi tem potencial para aproveitar oportunidades quando o conjunto permite. O desafio, agora, é transformar esses lampejos de desempenho em regularidade na segunda metade da temporada.
A adaptação a carros mais potentes, à gestão de pneus e à dinâmica estratégica da F2 é parte natural do processo para um piloto que decidiu abreviar a trajetória tradicional até a categoria.
O sobrenome Fittipaldi tem peso histórico no automobilismo brasileiro, marcado por títulos de Emerson Fittipaldi na Fórmula 1 e na Indy. Para o jovem piloto, a temporada de estreia na F2 representa uma etapa decisiva para construir experiência e credenciais próprias rumo aos próximos passos da carreira.
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