Kimi Antonelli revelou que soube que seria o substituto de Lewis Hamilton na Mercedes em janeiro de 2024, antes mesmo de a transferência do heptacampeão para a Ferrari se tornar pública. O italiano tinha apenas 17 anos na época e ainda não havia estreado na Fórmula 2, vindo de títulos na F4 e na Formula Regional. A revelação foi feita em vídeo produzido para a empresa SAP e expõe os bastidores de uma das decisões mais ousadas da história recente da Fórmula 1.
O encontro aconteceu em Silverstone, durante um dia de testes com carro de F3. Ao fim da sessão, Toto Wolff chamou Antonelli ao escritório e foi direto ao ponto: Hamilton partiria para a Ferrari e o jovem italiano seria seu substituto na temporada seguinte.
“Ele disse: ‘Olhe, Lewis vai para a Ferrari e estamos pensando em colocar você no carro para o ano que vem’. E eu fiquei ‘Uau!’, com os olhos arregalados“, relatou Antonelli.
A decisão que Wolff tomou para não repetir o erro com Verstappen
A pressa de Toto Wolff em garantir Antonelli tinha uma motivação clara: evitar repetir o que aconteceu com Max Verstappen uma década antes. Em 2014, a Mercedes tinha Verstappen em seu programa de jovens pilotos, mas o holandês foi liberado e acabou na Red Bull — onde se tornaria tetracampeão mundial.
Com Antonelli, Wolff não quis correr o mesmo risco. O austríaco agiu antes mesmo de a saída de Hamilton ser anunciada oficialmente, assegurando o compromisso do italiano enquanto ele ainda estava nos primeiros passos da carreira nas categorias de acesso.
“Falei: ‘Você está brincando comigo?’, porque eu nem tinha estreado na F2 ainda. Eu ainda tinha tanto a provar, mostrar que merecia aquela vaga“, recordou Antonelli, que mesmo assim respondeu afirmativamente ao questionamento de Wolff sobre sua prontidão.
Temporada de estreia marcada por pressão e superação
Antonelli foi anunciado oficialmente como piloto da Mercedes em 31 de agosto de 2024, quando ocupava o sétimo lugar na classificação da F2. A temporada na categoria de acesso foi irregular, como o próprio Wolff esperava de um piloto tão jovem — mas suficiente para confirmar o talento que justificava a aposta.
A estreia na Fórmula 1, em 2025, seguiu o mesmo padrão. O italiano teve um início promissor, com um quarto lugar em Melbourne, mas passou por um período difícil na fase europeia do calendário, somando apenas três pontos nessa sequência.
“Deixei que a pressão me destruísse, porque sentia que estava decepcionando tantas pessoas que tinham acreditado em mim, especialmente o Toto“, admitiu o piloto, que reconheceu ter sofrido com o peso das expectativas geradas pela promoção antecipada.
A virada veio após uma reunião com a equipe ao fim da fase europeia. Antonelli encontrou equilíbrio emocional e técnico na segunda metade de 2025, encerrando o ano com consistência suficiente para chegar a 2026 como líder do campeonato, com 219 pontos após 11 etapas.
Líder do Mundial em 2026, Antonelli colhe frutos da aposta de Wolff
A temporada 2026 confirma que a decisão de Wolff foi acertada. Antonelli lidera o Mundial de Pilotos à frente de George Russell, seu companheiro de equipe, e de Max Verstappen, o mesmo piloto que a Mercedes perdeu para a Red Bull há mais de dez anos.
O italiano credita parte do crescimento acelerado ao ambiente exigente da Mercedes. “A equipe fez um trabalho incrível ao tentar me proteger e acho que aprendi muito mais do que se tivesse entrado numa equipe menor. Parecia que eu estava fazendo três anos em um“, afirmou.
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