O CEO do Mundial de Endurance (WEC), o francês Frédéric Lequien, garantiu que a temporada 2026 terá oito etapas confirmadas, mesmo diante da incerteza sobre as provas do Catar (24 de outubro) e do Bahrein (7 de novembro), ameaçadas pelos conflitos armados no Oriente Médio envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. A categoria já trabalha com um plano B na Europa e tomará uma decisão final em meados de julho, com a segurança das equipes como critério único.
Como a crise reorganizou o calendário
Originalmente, o Catar abriria a temporada em março, recebendo também o Prólogo no Circuito de Lusail. Com a escalada militar em fevereiro, muitas equipes já haviam iniciado o transporte de equipamentos para o Oriente Médio quando a etapa foi realocada. A temporada acabou começando com as 6 Horas de Ímola, em abril, e as provas do Catar e do Bahrein foram empurradas para o fim do ano.
Por que Catar e Bahrein são estratégicos
Junto com as 24 Horas de Le Mans, as etapas de Catar (1.812 km) e Bahrein (8 horas) são as mais longas e pontuadas do calendário, distribuindo mais pontos que as cinco corridas restantes de 6 horas. Eliminar ou realocar essas provas tem impacto direto na disputa pelos títulos de Hypercar e LMGT3.
“Plano B já está estruturado”
Lequien detalhou que a contingência está em estágio avançado.
“Já começamos a trabalhar em soluções de contingência — um plano B — caso não seja possível organizar as duas últimas corridas, previstas no Catar em 24 de outubro e no Bahrein em 7 de novembro”, afirmou ao portal Grande Prêmio.
“Vamos tomar uma decisão final durante o verão [europeu], certamente por volta de meados de julho — daqui a três semanas —, dependendo de como as notícias evoluírem”, completou.
Segurança como critério absoluto
O dirigente reforçou que apenas o risco operacional definirá o destino das duas etapas finais.
“A nossa decisão será guiada estritamente pela segurança, e apenas pela segurança. Se todas as condições estiverem reunidas, iremos ao Oriente Médio e realizaremos as etapas do Catar e do Bahrein normalmente”, declarou.
“Caso contrário, já estruturamos um plano B e realocaremos as duas últimas corridas certamente para a Europa. Independentemente do cenário, o WEC 2026 contará com oito corridas no total”, finalizou.
O peso geopolítico no automobilismo
A situação espelha decisões recentes do automobilismo global diante de conflitos. A Fórmula 1 já enfrentou cenários semelhantes com o GP do Bahrein de 2011, cancelado pela Primavera Árabe, e com o GP da Rússia, retirado do calendário em 2022 após a invasão da Ucrânia. Para o WEC, manter Catar e Bahrein é também estratégico do ponto de vista comercial — ambos os países são financiadores diretos de programas de endurance e parceiros da ACO e da FIA desde a reformulação da era Hypercar em 2021, que trouxe Toyota, Ferrari, Porsche, Cadillac, BMW, Peugeot, Alpine, Aston Martin e, em breve, McLaren para a categoria principal.
A definição em julho será determinante não apenas para o desfecho esportivo de 2026, mas para a continuidade do equilíbrio geopolítico que sustenta o calendário do WEC.
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