A Ferrari saiu de Le Mans com um diagnóstico claro para a derrota nas 24 Horas disputadas no último fim de semana, em La Sarthe. Após perder a chance do quarto triunfo seguido, a marca italiana avaliou que havia um desequilíbrio no pelotão dos Hipercarros, o que impediu a 499P de brigar em igualdade pelas primeiras posições.
A leitura foi feita por Mauro Barbieri, diretor de design de endurance da Ferrari, depois de uma prova em que o carro #51 terminou em quinto com Alessandro Pier Guidi, James Calado e Antonio Giovinazzi. Já o #50 abandonou na manhã de domingo, quando estava com Miguel Molina.
Ferrari vê limite técnico desde os testes
A avaliação da Ferrari é que o problema não apareceu apenas durante a corrida. Segundo Barbieri, os sinais já eram visíveis desde o dia de testes, quando a equipe percebeu que não fazia parte do grupo mais competitivo do fim de semana.
Em declaração, Barbieri afirmou: “Acho que já estava claro desde o dia de testes, talvez até antes disso, que o pelotão estava desequilibrado e que não estávamos entre os mais competitivos. Tentamos tudo o que podíamos ao longo da semana, diferentes filosofias de acerto para tentar reduzir a diferença. Realmente não encontramos nada que fosse capaz de fechar uma diferença tão grande”.
A fala é relevante porque reforça que o resultado não foi fruto de um erro pontual de estratégia ou execução. Na visão da Ferrari, o déficit era estrutural para aquele pacote competitivo em Le Mans.
Estratégias não mudaram o cenário
Ainda segundo Barbieri, a Ferrari variou o máximo que pôde ao longo da prova. A equipe apostou em combinações diferentes de pneus, stints mais longos e uma gestão agressiva para tentar compensar a falta de ritmo puro.
O dirigente explicou: “Também durante a corrida, tentamos fazer stints duplos e triplos com os pneus, estender os stints e andar no limite. Testamos diferentes compostos de pneus dependendo do horário do dia, além de diferentes combinações. Mas, novamente, a diferença que tínhamos para os três principais fabricantes era grande demais”.
O relato ajuda a entender por que o quinto lugar do #51 foi tratado como o máximo possível. Em uma corrida limpa, sem grandes incidentes para o carro, a Ferrari ainda assim não teve velocidade suficiente para escalar o pelotão.
Depois de vencer Le Mans em 2023, 2024 e 2025, a Ferrari chegou à edição de 2026 com status de referência na era atual do WEC. Por isso, terminar fora da disputa real pela vitória acendeu alerta dentro da operação italiana.
O peso histórico é evidente. Em uma prova que costuma premiar execução, confiabilidade e leitura estratégica, a Ferrari sempre construiu suas vitórias recentes com forte ritmo de corrida. Desta vez, faltou justamente isso.
Barbieri diz que havia sete carros melhores
A declaração mais forte de Barbieri veio ao explicar onde a Ferrari se colocava na ordem de forças do fim de semana. Segundo ele, havia pelo menos sete carros à frente da 499P desde o início das atividades.
Barbieri disse: “Desde o dia de testes, vimos que havia sete carros à frente. Provavelmente até mais dois, se considerarmos as duas Alpine. E o fato de que, em vez de terminarmos em décimo, terminamos em quinto com o melhor dos nossos carros mostra que realmente fizemos o melhor que podíamos”.
Essa análise ajuda a dimensionar o tamanho da frustração em Maranello. Na prática, a Ferrari entende que extraiu o resultado máximo possível de um pacote que, naquele contexto, não era candidato real à vitória.
Ferrari se coloca como quarta ou quinta força
Barbieri ainda indicou que a equipe se enxergou como quarta ou quinta força em Le Mans. A comparação direta feita por ele foi com a Alpine, que andou em ritmo semelhante nas horas finais da prova.
“Estávamos no mesmo nível da Alpine. As últimas 6h da corrida mostraram isso, porque andamos em um ritmo muito semelhante a da Alpine #35, que no fim conseguiu ultrapassar a AF Corse #83. Os carros que estavam à frente no final da prova tinham um desempenho superior, e não conseguimos alcançá-los”.
Esse trecho é importante porque mostra que a Ferrari não atribuiu o revés a acaso. A equipe entende que o resultado refletiu com fidelidade sua posição competitiva ao longo da semana.
Derrota muda leitura do campeonato
Mesmo fora da briga pela vitória em Le Mans, a Ferrari tentou salvar pontos e limitar danos em uma etapa central do calendário do WEC. O problema é que a corrida de 24 horas costuma ter peso simbólico muito maior do que as demais.
Perder em La Sarthe após três vitórias seguidas interrompe uma sequência que recolocou a Ferrari no topo do endurance mundial. Ao mesmo tempo, a análise de Barbieri indica que a equipe já mira a reação com um entendimento mais claro das limitações vistas no fim de semana.
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