A equipe Hyundai Shell Mobis fechou a primeira metade da temporada de 2026 do Campeonato Mundial de Rally (WRC) consolidada na vice-liderança do Mundial de Construtores com 243 pontos. Após sete das 14 etapas disputadas, o time comandado por Adrien Fourmaux e Thierry Neuville faz um balanço agridoce de sua campanha. Apesar de ter conquistado uma vitória marcante e três pódios, a montadora enfrenta uma desvantagem incômoda de 127 pontos em relação à rival Toyota Gazoo Racing, que dominou o asfalto e o início do ano, forçando a Hyundai a zerar os erros para manter vivas as suas pretensões de título mundial.
O brilho de Fourmaux e a montanha-russa de Neuville
A reestruturação da equipe para 2026 concentrou os esforços em duas duplas permanentes após a saída de Ott Tänak. O francês Adrien Fourmaux assumiu o papel de protagonista da montadora e ocupa o sexto lugar geral com 89 pontos, sustentando o status de pontuador mais consistente do i20 N Rally1 após grandes exibições no cascalho do Quênia e de Portugal.
Já o veterano Thierry Neuville viveu extremos na primeira metade do ano e ocupa o sétimo lugar na tabela (73 pontos). O belga sofreu um duro golpe na Croácia ao bater e abandonar quando liderava a pouquíssimos quilômetros do fim, mas deu a resposta ideal na etapa seguinte ao faturar uma vitória emocionante e estratégica no Rally de Portugal.
Carro compartilhado cumpre o papel de somar pontos preciosos
O esquema de rodízio no terceiro carro garantiu pódios e suporte técnico importantes com as participações de Hayden Paddon, Esapekka Lappi e do experiente Dani Sordo.
O alívio do fim do asfalto e o peso histórico da terra
O grande calcanhar de Aquiles da Hyundai na primeira metade de 2026 ficou escancarado nas etapas de asfalto puro, com destaque para o Rally do Japão. Em solo rival, os carros sul-coreanos sofreram severamente com a falta de aderência dianteira e o equilíbrio dos pneus duros, assistindo a uma histórica lavada da Toyota, que bloqueou as quatro primeiras posições da prova.
Historicamente, o i20 N Rally1 sempre se comportou de forma muito mais agressiva e competitiva em pisos de baixa aderência e terrenos acidentados. Por conta disso, o encerramento da perna de asfalto traz um enorme alívio técnico para os pilotos, que agora miram a longa e brutal sequência de ralis de terra que definirá os rumos do campeonato.
O cenário para a virada a partir da Grécia
A partir do lendário Rally da Acrópole, na Grécia, o WRC 2026 entra em seu terreno mais impiedoso. Para a Hyundai, a poeira, o calor extremo e as pedras soltas gregas representam a oportunidade perfeita para iniciar uma reação agressiva e fazer valer o forte torque de seu motor híbrido.

Se quiser incomodar o império da Toyota no cenário atual, a escuderia precisará traduzir os lampejos de velocidade em pódios duplos consistentes. Com etapas desafiadoras pela frente na Finlândia, Estônia e América do Sul, a fundação para a reação está posta; resta saber se a maturidade de Fourmaux e a velocidade de Neuville serão suficientes para reverter o enorme prejuízo na tabela.
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