A estreia oficial de Pepe Martí na Fórmula E teve um choque de realidade. O espanhol sentiu na pele — e principalmente na cabeça — a intensidade das disputas da categoria no eP de São Paulo, onde fazia uma corrida consistente e chegou a se colocar na rota de um top-5 inesperado. Tudo mudou nas voltas finais, quando um full-course yellow desacelerou o pelotão e terminou em um acidente violento que o tirou da prova.
Apesar de ter saído sem lesões relevantes, Martí admitiu que o episódio teve um peso emocional considerável, justamente pelo contexto: a corrida vinha se desenhando como um ponto alto logo em sua primeira participação oficial.
O domingo tinha tudo para ser um marco para o estreante. Mesmo depois de um começo complicado — com o cancelamento do TL1 de sexta-feira por uma falha generalizada nas comunicações da FIA e, depois, a quebra do braço da suspensão dianteira no único treino livre disputado — Martí encaixou ritmo forte, ganhou posições e entrou de vez na briga entre os primeiros.
A sequência positiva, no entanto, ruiu no incidente que culminou em bandeira vermelha e encerrou de vez suas chances de pontuar alto.
No momento em que o pelotão reduzia por conta da batida de Mitch Evans, Martí não conseguiu reagir ao ritmo mais lento a tempo. O carro da Cupra Kiro acabou “decolando” ao tocar a traseira de António Félix da Costa e Nico Müller, foi lançado no ar e capotou em um acidente de grande impacto.
Martí saiu do carro sem ferimentos e ainda tentou ajudar diante da fumaça e do princípio de fogo na região dianteira, enquanto os fiscais enfrentavam dificuldade para acessar a pista. O espanhol explicou que ficou inquieto ao ver a situação se prolongar.
“Estou bem. Para ser sincero, estou mais machucado mentalmente do que fisicamente. Tínhamos uma corrida muito boa nas mãos. Depois de perder o TL1 e quebrar o braço da suspensão na primeira volta do sábado, conseguir brigar por um top-5 seria incrível. A equipe fez tudo muito bem. Por isso dói”, disse.
“Pulei rápido e vi o pneu dianteiro embaixo do carro, pegando fogo. O chassi estava literalmente queimando. Só queria que alguém chegasse logo. Os fiscais estavam com dificuldade para atravessar o portão. Não tenho nada contra eles, mas tentei acelerar as coisas”, completou.
Além do impacto do acidente, Martí também aproveitou para comentar o que viu ao longo da prova em termos de disputa roda a roda. Ele afirmou que esperava contato na Fórmula E, mas se disse surpreso com o volume de toques e com o que descreveu como um padrão de pilotagem aquém do ideal para uma categoria de monopostos.
“Não sei quantas mensagens minhas apareceram no rádio, mas fiquei bem irritado com alguns pilotos. Entendo que aqui o contato faz parte e cada posição vale muito. Mas fiquei surpreso com o nível de toques numa categoria de fórmula. Às vezes, os padrões de pilotagem ficam abaixo do que esperava.”
Ainda assim, o espanhol reconheceu que também precisa se adaptar ao ambiente e assumiu parte da responsabilidade:
“Também cometi um erro, e isso é culpa minha. Preciso me adaptar”, concluiu.
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