O piloto brasileiro Rafael Câmara evitou qualquer clima de euforia ao assumir a liderança isolada da Fórmula 2, garantindo que a disputa pelo título da temporada 2026 “está longe de acabar”. Em entrevista concedida ao portal oficial da categoria nesta quarta-feira (30), o titular da Invicta Racing admitiu ter questionado a tática da equipe na última corrida principal em Baku — quando faturou a vitória graças a uma punição aplicada a Alexander Dunne — e destacou o ritmo forte imposto pelos seus dois principais adversários diretos na tabela.
O fim de semana no Azerbaijão começou adverso para o pernambucano, que zerou na prova sprint após sofrer uma penalização por toque com Mari Boya, vendo o búlgaro Nikola Tsolov ampliar a margem na liderança. No entanto, o abandono do piloto da Campos na corrida 1 e a vitória de Câmara na prova complementar viraram o jogo no certame, colocando o brasileiro com sete pontos de vantagem antes da definição do calendário.
Dúvida na estratégia da Invicta e gestão da punição de Dunne
Ao analisar as decisões do muro dos boxes na terceira corrida da rodada, Câmara revelou surpresa com a permanência na pista durante os períodos de acionamento do safety-car virtual, realizando o pit-stop obrigatório sob bandeira verde.
“Nesse sentido, achei que cometemos um erro, mas o ritmo estava muito forte depois do safety-car virtual. Por causa disso, conseguimos voltar à frente. Foi muito importante para toda a corrida. No geral, tudo correu bem, mas faltou um pouco de ritmo para tentarmos alguma coisa e conquistarmos a vitória na pista”, acrescentou.
Apesar de cruzar a linha em segundo atrás de Dunne, o brasileiro assegurou a vitória em decorrência da sanção de cinco segundos aplicada ao rival da Rodin Motorsport por cortar a linha branca na entrada do pit-lane.
“Vi Nikola se aproximando e ele estava rápido. Felizmente, não foi o suficiente para nos alcançar. Ele estava muito forte. Alex também estava fazendo um bom trabalho. No início, estávamos apenas tentando ficar por perto para tentar alguma coisa no fim. Sabia que ele tinha a punição de 5s, então sabia que poderia esperar um pouco, ver como as coisas se desenrolariam e tentar novamente. Tentei de verdade no fim, mas simplesmente não foi suficiente para permanecer à frente. Mesmo assim, tive um pouco de sorte: ele terminou em segundo e nós conseguimos a vitória. Então, para o campeonato, foi muito bom”, comemorou.
Experiência como líder e incerteza sobre o encerramento do calendário
Vivendo seu ano de estreia na categoria, Câmara comparou a fase atual com o título conquistado na Fórmula 3 em 2025, ressaltando o foco necessário para as rodadas finais.
“Quer dizer, está muito apertado. Provavelmente agora está um pouco parecido com o que aconteceu no ano passado [na Fórmula 3], agora me tornando o piloto que está sendo perseguido. Mas, de qualquer forma, independentemente da situação, precisamos realmente focar no que podemos fazer da melhor maneira possível. Esse será o objetivo nas duas últimas etapas: tentar maximizar tudo o que pudermos. São duas pistas muito fortes para a equipe. Então, vamos tentar manter o ritmo e terminar bem”, encerrou Câmara.
O desfecho do campeonato segue cercado de dúvidas geopolíticas, com as rodadas programadas para Lusail, no Catar, e Yas Marina, em Abu Dhabi, sob risco real de cancelamento devido aos conflitos armados no Oriente Médio.
Caso os eventos sejam cancelados e a F2 decida não acompanhar a Fórmula 1 em uma hipotética rodada substituta na Europa, o campeonato de 2026 pode ter sido precocemente encerrado em Baku, coroando o brasileiro em sua temporada de novato.
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