Há um padrão de sucesso recente que Rafael Câmara pretende seguir à risca. Assim como Gabriel Bortoleto e Leonardo Fornaroli, o brasileiro conquistou o título da Fórmula 3 em sua temporada de estreia e, para o salto à F2, escolheu a estrutura da Invicta Racing.
A trajetória de “Rafa” no automobilismo começou cedo, herdando um interesse que o irmão mais velho não levou adiante. “Meu pai gostava de corridas, mas nunca tinha estado no mundo do automobilismo. Um amigo do meu pai, do trabalho, o filho dele corria e deu uma chance para o meu irmão tentar, mas meu irmão não gostou muito. Ele fez um ano, eu acho. Eu ia assistir quando eles estavam na pista e, quando meu irmão parou, eu disse que queria começar, mas eu tinha cinco anos, era muito novo. Quando fez seis, pedi ao meu pai de novo. A partir daí, começamos em Recife. Depois de um ano nos mudamos para São Paulo, de lá para os EUA e depois Europa”, relata o piloto.
A velocidade, contudo, parece estar no DNA. Sua avó materna, Niege Rossiter, foi pioneira ao correr com carros de turismo em Recife nos anos 60. “Antes de eu começar a correr, não era algo que eu realmente conhecia. Depois, comecei a saber mais. Ela tem o capacete, os troféus e todas as fotos. Era um pouco mais perigoso porque ela corria nas ruas. Ela dizia que, basicamente, se você cometesse um erro, ia parar em cima das pessoas! Quando comecei, ela gostou muito e sempre me apoia”, revela Câmara.
Em 2021, os resultados expressivos no kart levaram Câmara ao radar da Ferrari, que o selecionou para seu programa de jovens pilotos. “Foi uma grande mudança na minha carreira. Foi muito bom para crescer como piloto e como pessoa. Temos trabalhado bem juntos”, afirma sobre a integração ao time de Maranello.
Sua transição para os monopostos na Prema Racing, em 2022, foi testada por problemas de saúde, incluindo dois diagnósticos de COVID-19 que o tiraram de etapas importantes. “Não foi ideal, e com as viagens era mais difícil naquele momento, mas foi ok porque meu campeonato principal era a F4 Italiana e não tive problemas lá. Consegui fazer toda a temporada”, explica.
Após duelar com Antonelli na F4 e na Fórmula Regional, onde foi campeão em 2024, Câmara buscou novos ares na F3 ao assinar com a Trident. “Foi um pouco difícil sair [da Prema]. Foram três anos que me completaram como pessoa e como piloto, e sou muito grato por tudo que a Prema fez por mim, mas a Trident também era outra família, não só em termos de resultados, mas o clima na equipe era incrível”, recorda.
Domínio na F3 e a conexão com a Invicta
Sob o comando de Giacomo Ricci na Trident, Câmara não deu chances aos rivais em 2025. Com cinco poles e quatro vitórias em corridas principais, ele selou o título antes mesmo da rodada final. “Acho que fiquei um pouco [surpreso]. Especialmente com o carro novo, você não sabe o que esperar. Poderíamos ter começado em primeiro ou último, sabíamos disso. Mas a abordagem que tivemos foi muito boa, para garantir que, acontecesse o que fosse, continuaríamos trabalhando duro. Eu também nunca estava pensando muito nos resultados ou em bater recordes, só tentando garantir que a cada fim de semana estivesse dando o meu melhor”, destaca.
Agora na Invicta, Câmara trabalhará com o engenheiro Pau Rivera, o mesmo que guiou Bortoleto e Fornaroli aos seus títulos. Sobre a pressão de manter o nível de sucesso dos antecessores, o recifense mantém o foco: “Sempre que você entra em algo, seu foco é vencer. Com certeza vou tentar lutar por vitórias, pelo campeonato, mas vou focar nas coisas que posso controlar no momento e garantir que estou o mais preparado possível para a temporada.”
Com os pés no chão, ele evita distrações sobre possíveis testes na F1 no curto prazo. “Sim. Quer dizer, é legal pilotar um carro de F1, mas ainda preciso fazer um bom trabalho na F2”, conclui.
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