Os pilotos do grid da Fórmula 1 criticaram duramente a gestão eletrônica dos novos carros da categoria após uma grave falha generalizada de software forçar o adiamento do procedimento de largada no GP do Bahrein na Malásia, disputado no último domingo (4) em Sepang. A primeira corrida da geração 2026 realizada sob pista molhada foi paralisada por causa de um bug no modo de chuva do controlador padrão da unidade de potência da FIA, que travou múltiplos monopostos em marcha lenta durante as voltas de formação e atrasou o início oficial da disputa em 50 minutos.
A pane eletrônica atingiu simultaneamente carros equipados com motores de diferentes fabricantes, incluindo bólidos da Ferrari, Mercedes e Red Bull Ford Powertrains, gerando um cenário perigoso de perda total de aceleração em plena reta dos boxes. Diante do colapso do sistema, a federação internacional precisou redigir, compilar e distribuir às pressas uma atualização de emergência para as 11 escuderias instalarem durante o período de bandeira vermelha, neutralizando o corte de potência programado.
Perda de aceleração causa indignação e espanto no paddock
A vulnerabilidade dos novos sistemas integrados gerou fortes questionamentos sobre o excesso de eletrônica embarcada no regulamento técnico deste ciclo.
“É simplesmente horrível. Não sei, isso só prova que não deveríamos ter nada desse tipo de coisa, a parte eletrônica”, disparou o britânico Lando Norris, da McLaren, após enfrentar o corte na pista.
Seu companheiro de garagem, o australiano Oscar Piastri, ironizou o episódio: “Nunca vi uma corrida de F1 ser atrasada por um bug. Essa foi nova. Fiquei parado por cerca de um segundo. Quando o turbo não funciona nessas máquinas, é quase melhor empurrar o carro do que usar o motor. Foi bastante bizarro. Não pegou nada bem, mas acho que seria injusto apontar o dedo antes de haver uma explicação”.
Pelo lado da estreante Cadillac, o mexicano Sergio Pérez foi taxativo quanto à gravidade do ocorrido: “Parecia que você estava num kart e o seu tempo tinha acabado. Você pisava fundo, acelerava e não vinha resposta alguma. Tenho certeza de que aprenderemos com isso como esporte. Mas o que aconteceu hoje é totalmente inaceitável para a categoria”.
O jovem britânico Oliver Bearman, da Haas, relatou a sensação de impotência ao perder o comando do carro: “Nunca vi nada parecido. Fiquei chocado. Eu nem sabia que a FIA podia controlar nosso pedal do acelerador. Na verdade, foi bem assustador. Meu acelerador parou de funcionar, mas parece que o de todo mundo parou também. O motor ficou só na marcha lenta”.
Verstappen compara grid a karts de brinquedo e Alonso vê excesso técnico
O bicampeão mundial Fernando Alonso, da Aston Martin, pontuou que o esporte atingiu uma saturação desnecessária, argumentando que há “tecnologia demais” e que “os espectadores também não valorizam isso de fato”.
Vencedor da etapa malaia, o holandês Max Verstappen revelou que seu ritmo lento no molhado acabou sendo o estopim involuntário da falha coletiva.
“Esse é o problema que temos”, pontuou o tetracampeão da Red Bull Racing. “Estes motores são complexos demais e há muito software implementado. Eu fui o primeiro a disparar o problema e aí olhei no retrovisor e pensei: ‘Espere, eles estão me esperando ou o que está acontecendo…?'”
“Parecia a corrida de Lego, na mesma velocidade. Em certo momento, estávamos com cinco carros lado a lado na reta porque não conseguíamos entender o que estava acontecendo. Aí demos uma volta e vi outros oito carros ainda arrastando no grid. O que dá para dizer? Não é isso o que você quer para o esporte, né?”, concluiu Verstappen.
A FIA abriu uma investigação técnica para apurar as causas da interferência nas centrais eletrônicas e garantir que as diretrizes sejam revisadas antes do GP de Singapura no próximo final de semana.
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