Existem algumas imagens que explicam uma era inteira da Fórmula 1. A foto de Ayrton Senna, Alain Prost e Michael Schumacher juntos no pódio, em 1993, é uma delas.
Ali estavam passado, presente e futuro da categoria reunidos por alguns segundos. E vendo o pódio do Grande Prêmio do Canadá de 2026, eu tive exatamente essa sensação.
Lewis Hamilton, Max Verstappen e o jovem Kimi Antonelli sendo levantado nos ombros. A velha guarda olhando para o novo fenômeno.
Parecia simbólico demais para ser apenas coincidência.

Antonelli não está mais “aprendendo”
A impressão que fica é simples: Antonelli pulou etapas. Não parece um novato. Não parece um piloto “em formação”. Parece pronto. E isso talvez seja o mais assustador. Porque a vitória no Circuit Gilles Villeneuve não veio em corrida tranquila. Muito pelo contrário.
Foi uma prova caótica, cheia de mudanças de cenário e a pressão de seu companheiro em um modo ataque constante.
E ele suportou tudo. Com naturalidade.
A pressão chegou em Russell
Enquanto Antonelli cresce… George Russell parece cada vez mais desconfortável. E Montreal deixou isso muito claro.
O inglês fez praticamente tudo certo no fim de semana. Guiou bem, executou a corrida corretamente… mas o carro simplesmente o deixou na mão. E a reação dele ao sair do cockpit dizia muito.
Raiva.
Frustração.
Descontrole.
Tanto que acabou até punido depois da prova.
Porque agora não é mais só sobre desempenho. É sobre ambiente.
Russell percebeu que a Mercedes encontrou um novo centro gravitacional. E isso pesa. Ainda falta muito campeonato, claro. Mas o desconforto já é visível.
Hamilton x Verstappen: automobilismo puro
Agora… que duelo absurdo tivemos entre Lewis Hamilton e Max Verstappen.
Sério.
Talvez tenha sido a melhor batalha dois dois desde 2021.
Os carros estavam muito equiparados, mas com características diferentes em partes específicas do circuito. Em um setor, vantagem para um.
No outro, vantagem para o rival.
Resultado?
A habilidade dos pilotos apareceu acima de tudo. Verstappen fez uma pilotagem defensiva absurda. Defender daquele jeito no Canadá não é simples. E Hamilton? Olha… aquela ultrapassagem por fora vai ficar guardada na memória de quem ama automobilismo.
Ataque e defesa. Foi coisa de pilotos gigantes. Os dois foram no limite para que não houvesse um enrosco e atrapalhar o belo espetáculo. No limite mesmo.
E talvez o mais legal tenha sido ver os dois depois da corrida, conversando enquanto esperavam Antonelli chegar na sala antes do pódio.
Os rostos diziam tudo. Pareciam felizes pela disputa. Como dois caras que entendem perfeitamente o que acabaram de entregar.

Agora vamos falar do resto…
Nem todo mundo sai sorrindo de Montreal.
Charles Leclerc e Isack Hadjar tiveram corridas bem complicadas. Erraram bastante, quase se tocaram em alguns momentos e passaram longe do desempenho ideal. Ainda assim, salvaram alguns pontinhos importantes. O que, em campeonato longo, sempre importa.
E a McLaren? Ô Céus… Que desastre.
A equipe até parecia genial quando decidiu largar de intermediários. Funcionou… por algumas voltas. A famosa “ótima ideia até a página dois”.
Largaram bem. Ganharam posições. E depois “a ficha caiu”. Precisaram parar cedo demais, voltaram no meio do pelotão e afundaram a própria corrida.
Lando Norris abandonou após quebra. Oscar Piastri praticamente se arrastou até o fim. Foi o tipo de domingo que a equipe vai querer esquecer rapidamente.
Franco Colapinto também merece destaque. Mais um fim de semana sólido. E isso certamente deixa nossos hermanos bastante animados.
Já o “Brasa” – quem fala assim? – Gabriel Bortoleto segue naquela fase clássica de início de carreira: sobreviver, aprender e acumular quilometragem.
A Audi ainda está longe de entregar um carro competitivo de verdade, mas ele terminou mais uma prova.
A melhor corrida do ano?
Sinceramente? Para mim, foi a melhor corrida da temporada até aqui.
Teve disputa real. Teve estratégia. Teve caos. Teve braço. E teve um daqueles momentos simbólicos que fazem a gente sentir que está vendo o início de uma nova era.
Agora vamos para Grande Prêmio de Mônaco. E existe uma grande chance de muita gente dormir na frente da TV mais uma vez.
Minha opinião sobre Mônaco continua a mesma: Já deu!
Foi histórico. Foi maravilhoso. Foi importante. Mas talvez já tenha virado mais um museu do que uma corrida.
Este é um texto em que o/a autor/autora apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Gulliver Editora Ltda - detentora da marca Racer Media.
🔗 Junte-se à nossa comunidade!
👉 Entre no nosso grupo no WhatsApp para receber novidades, trocar ideias e ficar por dentro de tudo em tempo real.
📺 E não esqueça de se inscrever no nosso canal no YouTube para vídeos exclusivos, curiosidades e muito mais!
