Wolff revela resistência à contratação de Antonelli
Toto Wolff, chefe da Mercedes, revelou que dois patrocinadores abandonaram a equipe alemã após a decisão de promover Andrea Kimi Antonelli à Fórmula 1, em 2025. Em entrevista à Sky Sports, repercutida pelo Motorsport.com nesta terça-feira (3), o dirigente explicou que a escolha pelo então jovem de 18 anos gerou desconfiança entre parceiros comerciais, principalmente pela responsabilidade de substituir Lewis Hamilton.
“Tivemos dois patrocinadores que nos deixaram por causa disso. Eles me perguntaram: ‘Kimi Antonelli, quem é esse garoto?’. E houve outros que permaneceram conosco até hoje e agora estão colhendo os frutos”, afirmou Wolff.
A revelação acontece depois de Antonelli conquistar o título mundial de Fórmula 1 de 2026, no GP da Cidade do México. O resultado representa a confirmação da aposta feita pela Mercedes, que decidiu confiar no talento italiano mesmo diante das dúvidas existentes no paddock.
Saída de Hamilton abriu caminho para o italiano
A decisão de promover Antonelli aconteceu após o anúncio de que Lewis Hamilton deixaria a Mercedes para defender a Ferrari a partir de 2025. A saída do heptacampeão abriu uma das vagas mais disputadas do grid, provocando especulações sobre possíveis substitutos.
Entre os nomes considerados estava Max Verstappen, que também chegou a ser associado à equipe alemã. Entretanto, Wolff afirmou que já tinha uma escolha definida assim que Hamilton confirmou sua transferência.
“Quando Lewis apareceu na minha porta naquela manhã, tudo já estava claro para mim. No momento em que confirmou que iria para a Ferrari, soube que Kimi estaria no carro”, relembrou.
O dirigente também contou que comunicou sua decisão a Bradley Lord, então responsável pela comunicação da equipe, e a James Allison, diretor técnico. Inicialmente, ambos demonstraram surpresa com a escolha.
Wolff, porém, sustentava sua confiança nos resultados anteriores de Antonelli na Fórmula 4 e na Fórmula Regional, além dos dados coletados pela estrutura de desenvolvimento da Mercedes.
Patrocinadores não foram identificados por Wolff
O chefe da Mercedes não revelou quais foram as duas empresas que decidiram encerrar suas parcerias em razão da promoção de Antonelli.
Entretanto, Tommy Hilfiger e Puma deixaram a equipe ao final de 2024. Na temporada seguinte, a Adidas passou a integrar o grupo de patrocinadores da escuderia.
Outro caso mencionado na reportagem envolve a Gillette, que chegou a negociar um acordo com a Mercedes, mas acabou fechando parceria com a Audi.
Apesar dessas movimentações comerciais, não é possível afirmar que Tommy Hilfiger e Puma foram exatamente as duas marcas mencionadas por Wolff. O dirigente não confirmou publicamente suas identidades.
Temporada de estreia teve dificuldades e críticas
A confiança de Wolff foi colocada à prova durante a primeira temporada de Antonelli na Fórmula 1. Apesar de demonstrar velocidade em diferentes momentos de 2025, o italiano também enfrentou dificuldades naturais de adaptação à categoria.
Segundo o dirigente, o jovem chegou a passar por uma sequência de nove corridas consecutivas sem pontuar, período que intensificou as críticas à decisão da Mercedes.
O GP da Bélgica, em Spa-Francorchamps, foi apontado por Wolff como um dos momentos mais difíceis do estreante. O dirigente relembrou que Antonelli chegou a chorar diante das dificuldades enfrentadas naquele fim de semana.
Parte das críticas defendia que o italiano deveria ter passado mais tempo na Fórmula 2 ou iniciado sua trajetória na categoria por uma equipe de menor porte, como a Williams.
Wolff, entretanto, afirmou que nunca considerou a promoção um erro e classificou a escolha como um risco calculado, sustentado pelos dados de desempenho e pelo potencial demonstrado nas categorias de base.
Título de 2026 confirma aposta da Mercedes
A conquista do campeonato de 2026 representa o desfecho positivo de um projeto que começou cercado de questionamentos. Com apenas sua segunda temporada na categoria, Antonelli conseguiu transformar a oportunidade recebida em um título mundial.
A trajetória também reforça a tradição da Mercedes em apostar no desenvolvimento de jovens talentos. Antes de Antonelli, a equipe já havia promovido George Russell ao time principal em 2022, após três temporadas de formação na Williams.
O histórico mostra que a escuderia alemã costuma trabalhar com projetos de longo prazo, mesmo quando os resultados iniciais não correspondem imediatamente às expectativas.
Para Wolff, a conquista representa a recompensa pela confiança mantida durante os momentos mais difíceis. O dirigente também destacou o trabalho coletivo da equipe, que permaneceu ao lado do italiano mesmo diante das críticas externas.
Assim, a decisão que chegou a provocar a saída de parceiros comerciais terminou com Antonelli no topo da Fórmula 1 e a Mercedes celebrando o acerto de sua aposta esportiva e estratégica.
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