O brasileiro Gabriel Bortoleto traçou um balanço de sua temporada de estreia pela Audi e apontou o que considera seu ponto forte e sua principal deficiência no polêmico regulamento técnico de 2026 da Fórmula 1. Em entrevista no dia de mídia do GP do México, o piloto destacou a consistência nas classificações, mas admitiu que o gerenciamento de energia ao longo das corridas ainda é o maior obstáculo de sua adaptação, a cinco etapas do fim do campeonato.
“Olha, acho que temos sido rápidos desde o início dessas regras”, começou Bortoleto. “Temos disputado o Q3 na maioria das corridas deste ano. Nesse sentido, acho que tenho me saído muito bem, mas entender como pilotar o carro administrando a energia, especialmente durante a corrida, tem sido o maior desafio para mim”.
A nova lógica de ultrapassagem e a gestão de energia
A mudança de comportamento exigida pelo regulamento atual redesenhou por completo a forma de atacar e defender posições. Se antes a oportunidade de ultrapassagem era aproveitada de imediato, agora o piloto precisa calcular o momento exato de liberar potência, avaliando o custo energético das voltas seguintes.
“Há tantas possibilidades com a energia: ultrapassar, não ultrapassar, esperar, ser paciente ou não. No ano passado, assim que você tinha uma oportunidade, aproveitava, porque na curva seguinte não teria nenhum problema com o uso da energia”, explicou o brasileiro.
A diferença de abordagem, segundo ele, é radical. “Já este ano é bem diferente e ainda sinto que tenho muito a melhorar nesse aspecto. E acho que esse é o maior desafio para qualquer piloto no grid, porque é algo totalmente novo”.
Um hábito de 16 anos que precisa ser reconstruído
Bortoleto recorreu à própria trajetória para dimensionar o tamanho do aprendizado. Acostumado a um estilo de pilotagem construído desde os seis anos de idade, ele precisou rever reflexos que estavam automatizados havia mais de uma década e meia.
“Não estamos acostumados a pilotar assim há, no meu caso, 16 anos, desde que comecei a correr. Eu tinha seis anos na época. Acho que ainda tenho muito a melhorar nessa área”, afirmou.
O método escolhido para acelerar essa curva é a revisão obsessiva das próprias corridas. “Continuo analisando todas as corridas, assisto às gravações novamente e vejo onde faço ultrapassagens e como poderia ter me saído melhor nesse sentido”, concluiu.
O contexto do regulamento mais debatido da década
A geração de carros de 2026 introduziu unidades de potência com participação elétrica próxima de 50% do total, combinada a um V6 turbo com combustíveis sustentáveis, além de aerodinâmica ativa e do modo de recuperação de energia. O pacote rendeu ganhos de eficiência, mas ampliou a dependência da gestão de bateria em cada reta — motivo de críticas recorrentes de pilotos e chefes de equipe ao longo do ano.
A discussão já projeta mudanças no futuro próximo. A FIA trabalha para introduzir V8 turboalimentados com combustíveis sustentáveis e menor contribuição elétrica em 2030 ou 2031, movimento defendido publicamente por Fernando Alonso, que prefere manter a hibridização com um equilíbrio revisto entre combustão e eletrificação.
Para Bortoleto, o desafio é ainda maior por se tratar de um ano de fundação: a Audi estreou como equipe de fábrica em 2026, assumindo integralmente a estrutura da Sauber, e constrói simultaneamente o carro, os processos e a adaptação de um piloto em seu segundo ano na categoria.
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