O piloto de desenvolvimento da Fórmula E, James Rossiter, revelou nesta quarta-feira (30) que a força de aceleração do novo carro Gen4 supera a de um monoposto de Fórmula 1, provocando uma sensação física tão extrema que fez sua “mente sair do corpo”. Durante o evento de apresentação dos pneus Bridgestone em Roma, na Itália, o veterano britânico detalhou o impacto dos 600 kW (cerca de 815 cv) de potência instantânea despejados no asfalto, comparando o choque sensorial ao seu primeiro teste na categoria máxima do automobilismo há duas décadas.
A nova geração de bólidos elétricos, programada para estrear oficialmente na temporada 2026/27, conta com tração integral ativa nas quatro rodas tanto em aceleração quanto em regeneração de energia, eliminando qualquer atraso na entrega de torque (turbo lag) típico dos motores de combustão interna.
Entrega instantânea de 600 kW e choque sensorial no cockpit
Rossiter detalhou a reação ao desativar os limitadores de velocidade na saída dos boxes, ressaltando a violência da resposta dos motores elétricos diante da aderência mecânica dos novos compostos Potenza.
“Para dar uma ideia, 600 kW de potência é uma quantidade enorme. Principalmente porque é potência instantânea. Não é como um motor de combustão interna normal, que vai subindo até atingir um pico de potência, que é o número normalmente divulgado. É instantânea”, explicou Rossiter.
“Passei pelo pit-lane com o limitador de velocidade ligado, a 50 km/h. Quando saí, desativei e pensei: ‘Vou acelerar tudo e ver do que esse carro é capaz’. E a aceleração foi tão forte que minha mente meio que saiu do meu corpo e ficou para trás”, contou.
Comparação direta com a F1 e adaptação à velocidade de resposta
O britânico admitiu que levou giros consecutivos para calibrar os reflexos à velocidade de processamento exigida pelo novo bólido, enfatizando que o salto prestacional redefinirá o padrão técnico das corridas de rua.
“Eu tentava alcançar o carro e senti que estava sempre um passo atrás dele nas primeiras voltas. É uma sensação que eu não tinha experimentado desde meu primeiro teste de F1, 20 anos atrás. É uma máquina incrível. A aceleração é incomparável, acelera mais rápido do que um carro de F1. E isso é muito difícil de compreender”, afirmou.
O programa de testes do Gen4 continuará ao longo dos próximos meses com as equipes e fabricantes homologadas pela FIA, com foco na calibração dos mapas de potência e na integração com a nova gama de pneus ecológicos da Bridgestone.
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