Herta não quer segunda temporada na Fórmula 2
Colton Herta não pretende disputar uma segunda temporada na Fórmula 2 em 2027. O piloto americano, que migrou da IndyCar para a categoria de formação neste ano com a Hitech, afirmou em 18 de setembro de 2026 que não tem interesse em permanecer na F2 após uma temporada de estreia marcada por dificuldades de desempenho e acidentes.
Herta chegou à F2 com um objetivo específico: acumular os pontos necessários para obter a superlicença da FIA e manter vivo o projeto de chegar ao grid da Fórmula 1 pela Cadillac.
O resultado, porém, ficou abaixo do esperado. Atualmente, o americano ocupa a 19ª posição do campeonato, com 26 pontos, depois de 11 etapas disputadas.
Em entrevista ao portal alemão F1-Insider, Herta confirmou que não pretende repetir a experiência em 2027.
“Não tenho interesse em mais um ano na F2.”
O piloto deixou o futuro em aberto, mas descartou especificamente a continuidade na categoria de acesso à Fórmula 1.
Temporada ficou abaixo das expectativas
A adaptação de Herta ao campeonato europeu foi complicada desde o início. O americano chegou à F2 depois de sete temporadas completas na IndyCar, onde construiu uma carreira de destaque.
Antes da mudança, Herta havia conquistado nove vitórias e 19 pódios na IndyCar, além de terminar o campeonato de 2024 na segunda posição.
Na F2, entretanto, a adaptação ao carro, aos circuitos e ao ambiente competitivo da categoria foi mais difícil.
Herta conseguiu apenas uma classificação entre os dez primeiros nas 11 rodadas disputadas até o momento, segundo levantamento da Motorsport.com. Os 26 pontos acumulados também mostram a diferença entre seu desempenho na IndyCar e a primeira temporada na Europa.
Acidentes agravaram cenário em 2026
Os problemas também apareceram em momentos importantes da temporada.
Em Monza, Herta sofreu dois incidentes durante o fim de semana. Pouco depois, no Madring, palco do GP da Espanha, bateu durante a classificação e não participou das duas corridas da F2 após a retirada anunciada pela equipe.
O acidente em Monza também teve consequência direta na busca pela superlicença. Herta deixou o treino livre da Fórmula 1 antecipadamente por um problema hidráulico da Cadillac, sem completar a quilometragem necessária para conquistar um ponto adicional.
Superlicença continua sendo o principal objetivo
Apesar da decisão de não permanecer na F2, Herta ainda precisa resolver a questão da superlicença da FIA.
O americano revelou que ainda necessita de dois pontos para alcançar a pontuação exigida e afirmou que possui apenas mais uma participação planejada em treino livre de Fórmula 1.
A sessão de Monza era uma oportunidade importante, mas o problema hidráulico interrompeu sua participação depois de apenas cinco voltas.
Herta reconheceu que a situação ficou mais complicada após o episódio.
Segundo o piloto, ainda não há uma definição concreta sobre como o programa será concluído e se a última participação prevista será suficiente para atingir a pontuação necessária.
Herta pode voltar à IndyCar
Com a permanência na F2 descartada, a IndyCar aparece naturalmente entre as possibilidades para o futuro do americano.
Herta afirmou que não vê um retorno à categoria como um problema, mesmo depois de passar uma temporada afastado. Ele também minimizou o impacto da mudança técnica prevista para 2028.
O campeonato norte-americano adotará um novo carro a partir daquela temporada, mas Herta acredita que as características de pilotagem não serão radicalmente diferentes.
“Está bem claro qual é o meu nível na IndyCar. Por isso, não acredito que seria um problema voltar e me readaptar”, afirmou.
Uma carreira que já teve passagem pela Europa
A trajetória de Herta ajuda a explicar por que a mudança para a F2 representou uma ruptura importante.
Nascido em 30 de março de 2000, o americano passou pelas categorias de base europeias antes de consolidar sua carreira nos Estados Unidos. Em 2016, foi vice-campeão da Fórmula 3 Espanhola e terminou em terceiro na Euroformula Open.
De volta aos Estados Unidos, Herta chegou à IndyCar em 2019 e rapidamente estabeleceu marcas importantes. Aos 18 anos, tornou-se o piloto mais jovem a vencer uma corrida na história da categoria.
O auge veio em 2024, quando terminou o campeonato da IndyCar como vice-campeão.
O projeto da Cadillac segue no horizonte
A mudança para a F2 foi planejada justamente para aproximar Herta da Fórmula 1.
A Cadillac o anunciou como piloto de testes em 2025, antes da estreia da equipe americana na F1 em 2026. Na sequência, Herta foi contratado pela Hitech para disputar a temporada de F2 com o objetivo declarado de avançar em sua preparação para a categoria máxima.
A experiência na F2, portanto, não representou apenas uma mudança de campeonato. Foi uma tentativa de adaptar um piloto já estabelecido na IndyCar ao ambiente das categorias europeias e, principalmente, de solucionar a questão da superlicença.
Por enquanto, esse caminho não produziu os resultados esperados.
Próximo passo ainda não está definido
Herta não anunciou qual será sua categoria em 2027. O piloto apenas confirmou que não pretende disputar outra temporada na F2.
A prioridade imediata continua sendo entender se conseguirá completar os pontos necessários para a superlicença. Caso isso não aconteça, o caminho para uma eventual estreia na Fórmula 1 ficará ainda mais condicionado às oportunidades disponíveis.
Enquanto isso, o retorno à IndyCar surge como uma possibilidade mencionada pelo próprio piloto, que também demonstrou interesse em conhecer o novo carro da categoria previsto para 2028.
A decisão sobre o futuro de Herta, portanto, permanece aberta — mas uma coisa já está definida: a F2 não fará parte de seus planos para 2027.
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