A Mercedes decidiu instalar uma nova unidade de potência no carro de Andrea Kimi Antonelli para o GP da Itália, em Monza, o que resultará em punição de 20 posições no grid de largada. A troca, porém, pode permitir que a equipe de Brackley introduza no W17 uma versão atualizada do motor, desenvolvida com as possibilidades abertas pelo ADUO, antes de uma etapa decisiva para o equilíbrio técnico da temporada 2026 da Fórmula 1.
A expectativa é que Antonelli receba a quinta unidade de potência do ano. George Russell também pode utilizar a especificação, ainda que a Mercedes não tenha confirmado oficialmente a distribuição dos novos motores entre seus pilotos.
O que é o ADUO e por que ele importa para a Mercedes
O ADUO é o mecanismo regulamentar que concede margem extra de desenvolvimento às fabricantes de unidade de potência com déficit de desempenho em relação à referência estabelecida pela FIA.
Em junho, a entidade definiu a Red Bull como parâmetro de performance do sistema. Com isso, a Mercedes passou a ter o direito de promover evoluções em sua unidade de potência durante a temporada, apesar de ter iniciado o campeonato com desempenho competitivo.
Até então, Toto Wolff havia indicado que a equipe não pretendia usar essa abertura regulatória em 2026. No entanto, as informações vindas de Brackley apontam que o motor número cinco traz revisões que podem representar uma resposta técnica ao avanço da Ferrari e da McLaren.
Turbina e combustível são áreas-chave da evolução
A nova unidade da Mercedes teria recebido mudanças no gerenciamento da turbina de maior porte, incluindo alterações na inclinação e na quantidade de palhetas. A expectativa é que o conjunto também opere com combustível atualizado da Petronas.
Monza, conhecido pelas longas retas e pelas zonas de aceleração plena, oferece o cenário ideal para medir o impacto de ganhos na unidade de potência. Caso a evolução entregue mais eficiência e desempenho, a Mercedes poderá reduzir a pressão de Ferrari e McLaren na disputa pelos campeonatos.
A atualização também pode alcançar as equipes clientes da Mercedes. Isso inclui a própria McLaren, que poderia se beneficiar da nova especificação de motor caso a fabricante disponibilize o pacote para seus parceiros.
Ferrari também prepara evolução para o GP da Itália
A Ferrari chega a Monza com previsão de estrear o motor 067/6, equipado com o segundo desenvolvimento permitido pelo ADUO. Segundo as informações do paddock, a nova especificação da Scuderia deverá trabalhar com combustível Shell revisado e pode representar ganho estimado em cerca de 15 cavalos.
O confronto técnico entre Ferrari e Mercedes terá peso relevante em casa para a equipe italiana. Enquanto a Scuderia tenta explorar sua eficiência em velocidade final, a Mercedes busca proteger sua posição no campeonato e impedir que as rivais reduzam a diferença.
Atualização aerodinâmica fica para outubro
A unidade de potência não será a única frente de desenvolvimento da Mercedes. A equipe projeta levar o principal pacote aerodinâmico do W17 para a Malásia, em outubro, buscando ampliar a capacidade de evolução do carro na reta final da temporada.
Assim, o GP da Itália deve oferecer uma primeira leitura sobre a efetividade das novas soluções de motor. Para Antonelli, a punição no grid transforma o fim de semana em um teste de recuperação — e, ao mesmo tempo, em uma oportunidade para validar um componente que pode ser determinante na disputa de 2026.
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