Os comissários da FIA admitiram nesta quinta-feira (24), em Budapeste, que erraram ao não punir Charles Leclerc pelo incidente com Oscar Piastri durante o GP da Bélgica, em Spa-Francorchamps, no último fim de semana. O reconhecimento ocorreu na reunião semestral entre pilotos e integrantes da direção de prova da F1 e foi revelado pelo portal britânico The Race. Segundo os comissários, em retrospecto, o piloto da Ferrari deveria ter recebido 5 segundos de punição pela manobra fechada na Les Combes contra o #81 da McLaren.
O lance na Les Combes e a decisão original
Na Bélgica, Leclerc fechou a trajetória de Piastri em disputa na Les Combes e acertou o carro do australiano. Os comissários julgaram o lance como “tentativa de ultrapassagem inviável” e consideraram o monegasco inocente pelo contato.
A decisão gerou reação no grid, com pilotos vendo precedente perigoso para defesas agressivas em pontos de frenagem.
Na Hungria, o próprio Leclerc reconheceu ter “exagerado na dose”.
O contraste com Hamilton x Russell
Curiosamente, um lance parecido aconteceu no mesmo ponto ainda na primeira volta, entre Lewis Hamilton (Ferrari) e George Russell (Mercedes). Sem bateria, o #63 não conseguiu evitar o contato e, ao contrário de Leclerc, Hamilton foi punido em 5 segundos.
A inconsistência entre os dois julgamentos foi apontada como um dos pontos centrais que levaram à autocrítica dos comissários.
Reunião semestral e ausências notáveis
O encontro em Budapeste é um dos dois anuais entre pilotos e direção de prova, com o objetivo de revisar incidentes e ajustar diretrizes de pilotagem. Após longo debate, os comissários reconheceram o erro em relação a Leclerc.
Cinco pilotos não compareceram: Lewis Hamilton, Fernando Alonso, Lance Stroll, Sergio Pérez e Valtteri Bottas.
Histórico de admissões da FIA e Diretrizes de Pilotagem
Admissões públicas de erro por parte da FIA são raras, mas vêm se tornando menos incomuns nos últimos anos. Casos notórios incluem o desfecho polêmico do GP de Abu Dhabi de 2021 — que resultou na saída do então diretor de prova Michael Masi — e revisões após incidentes de referência como o safety car de Baku e o julgamento do toque Verstappen-Hamilton em Silverstone (2021).
As chamadas “Driving Standards Guidelines” foram introduzidas justamente para padronizar julgamentos de disputas roda-a-roda, mas casos como Spa 2026 mostram que a aplicação prática ainda gera divergências. Com Andrea Kimi Antonelli liderando o campeonato com folga e a Ferrari ainda na briga pelo título de construtores, cada decisão dos comissários ganha peso e a autocrítica da FIA deve pautar interpretações mais rígidas para o restante da temporada, começando neste fim de semana no Hungaroring.
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