O francês Isack Hadjar, da Red Bull, falou sobre como é a convivência com o tetracampeão mundial Max Verstappen desde sua promoção à equipe principal da Fórmula 1. O jovem de 21 anos descreveu o holandês como “aberto e gentil” ao ser consultado, mas admitiu que o desafio diário de bater o companheiro de garagem em Milton Keynes exige rendimento extremo a cada saída para a pista.
Promoção após erros de Lawson e Tsunoda
Hadjar chegou à equipe principal após uma sólida temporada de estreia em 2025 pela Racing Bulls. A promoção veio em meio a uma sequência de fracassos da Red Bull em encontrar um companheiro à altura de Verstappen — caso de Liam Lawson e Yuki Tsunoda, ambos descartados em 2025, na esteira do que já havia ocorrido com Pierre Gasly, Alex Albon e Sergio Pérez desde 2019.
Até aqui, o desempenho do francês tem chamado a atenção: superou Verstappen na classificação duas vezes e ficou a menos de 0s12 dele em outras quatro ocasiões — algo inédito entre os parceiros do holandês na última década.
“Ele não esconde nada porque sabe que é forte”
Questionado sobre a dinâmica interna, Hadjar explicou que a troca não é simétrica, mas existe.
“Ele definitivamente não me pede conselhos, mas se eu pergunto a ele, ele responde. Se eu precisar de informações, ele é muito aberto, muito gentil. Então, ele não esconde nada porque sabe que é forte”, afirmou o francês.
A barra que Verstappen impõe
O piloto descreveu o impacto técnico e psicológico de dividir garagem com o tetracampeão.
“Simplesmente não dá tempo para ser preguiçoso, de verdade. É como se, toda vez que você entra na pista, ele fizesse uma volta no nível mais alto que você já viu, e você pensa: ‘Ok, preciso dar um grande salto aqui e ali'”, contou.
A pressão tem cobrado preço: Hadjar bateu e abandonou o GP de Miami e colidiu contra a barreira nos treinos livres em Mônaco, episódios típicos de pilotos jovens forçando o limite do RB22.
“Cometo os erros agora”
O francês adotou um discurso de aprendizado sem culpa, raro entre estreantes na pressionada estrutura austríaca.
“O ideal é não repeti-los. Esse é o objetivo. Nem sempre é fácil, mas eu realmente não me importo. Sou jovem, estou no meu segundo ano, cometo os erros agora. Quando tiver um carro para ser campeão mundial, não vou cometer esses erros”, declarou.
“Estou mais focado no meu próprio desempenho. Posso me comparar aos melhores do grid. É nisso que estou concentrado no momento”, completou.
Contexto: o “túmulo” da Red Bull
A Red Bull tem histórico de triturar carreiras ao lado de Verstappen: desde a saída de Daniel Ricciardo, em 2018, nenhum companheiro conseguiu sustentar paridade técnica com o holandês em uma temporada inteira. O início competitivo de Hadjar em 2026 começa a desafiar essa narrativa e coloca o francês como potencial candidato a ser o primeiro vizinho de garagem de Max a sustentar competitividade real em anos.
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