A Ford afirmou que não vê motivo para acelerar o desenvolvimento do seu hipercarro LMDh para o WEC 2027, mesmo após a McLaren já iniciar os testes com o MCL-HY. Em entrevista ao Sportscar365, o diretor do programa, Dan Sayers, explicou que a fabricante prefere maximizar simulações e validações virtuais antes do primeiro shakedown, previsto para agosto, porque entende que esse caminho pode entregar um produto mais refinado no início do projeto.
Ford aposta em preparação virtual antes de ir à pista
Enquanto a McLaren já começou a rodar com seu carro, a Ford ainda nem revelou oficialmente o protótipo que usará no retorno à elite do endurance.
Segundo Sayers, isso não representa atraso preocupante. A leitura interna é de que quanto mais tempo for dedicado a simulações de aerodinâmica, plataforma e comportamento do carro no ambiente virtual, maior a chance de chegar aos testes físicos com uma base mais sólida.
Dirigente descarta preocupação com avanço rival
O responsável pelo projeto deixou claro que a movimentação da McLaren é observada, mas não altera o planejamento da marca americana.
“Não é algo que nos faça perder o sono”, resumiu Sayers, ao reforçar que a Ford acredita ter encontrado o ponto ideal entre desenvolvimento digital e tempo suficiente de pista antes da estreia em 2027.
A declaração mostra uma diferença de filosofia entre as fabricantes. Enquanto algumas priorizam colocar o carro no asfalto o quanto antes, outras preferem reduzir variáveis antes do primeiro contato real com a pista.
Equilíbrio entre teste real e simulação é a prioridade
Sayers destacou que os testes seguem indispensáveis, mas ponderou que há um limite entre testar cedo e testar na hora certa.
Na visão da Ford, o objetivo é evitar quilometragem prematura com um carro ainda pouco maduro. Em vez disso, a marca quer chegar ao primeiro shakedown com o maior número possível de soluções já depuradas em simuladores e ferramentas de engenharia.
Sebring e circuitos do WEC fazem parte do plano
O calendário de desenvolvimento previsto pela Ford inclui circuitos do próprio WEC e também pistas específicas nos Estados Unidos, com destaque para Sebring.
O traçado da Flórida é tradicionalmente usado como referência de durabilidade e robustez por causa do piso ondulado e extremamente agressivo para suspensão, freios e estrutura. Por isso, aparece como etapa importante no processo de validação do futuro LMDh.
Sayers revelou ainda que a primeira fase mais intensa de testes acontecerá na Europa, antes de a operação seguir para os Estados Unidos no fim do ano.
Ford segue tendência de retorno pesado ao endurance
O projeto da Ford se encaixa no atual momento de expansão do WEC, que vive uma nova era de fábrica com marcas históricas e novas montadoras investindo em hipercarros.
Nesse contexto, o duelo de bastidores com a McLaren chama atenção, mas o histórico recente do endurance mostra que começar antes nem sempre significa chegar melhor preparado à estreia. Em programas desse porte, confiabilidade, acerto de base e correlação entre simulador e pista costumam pesar tanto quanto a antecedência do cronograma.
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