A FIA publicou nesta quarta-feira um documento oficial para explicar como funcionará o ADUO na Fórmula 1 a partir de 2026, após as alterações no calendário provocadas pelos cancelamentos dos GPs do Bahrein e da Arábia Saudita. O esclarecimento era necessário porque o novo mecanismo foi criado para evitar que fabricantes de unidades de potência fiquem muito atrás no início da próxima era técnica, permitindo desenvolvimento extra mesmo após a homologação inicial dos motores.
O que é o ADUO na Fórmula 1
O ADUO significa Oportunidades Adicionais de Desenvolvimento e Upgrades e foi concebido como uma espécie de rede de segurança regulatória para a nova geração de motores da F1.
A lógica da FIA é simples: impedir que a categoria repita um cenário como o de 2014, quando o início da era híbrida criou diferenças muito grandes de desempenho entre fabricantes e comprometeu o equilíbrio técnico por um longo período.
Desta vez, a entidade quer preservar a filosofia de homologação e controle de custos, mas sem deixar uma montadora completamente presa a um conceito errado de motor logo na largada do regulamento.
Como a FIA vai medir quem tem direito ao auxílio
A federação informou que o desempenho será monitorado em três períodos específicos da temporada. A análise será feita a partir de um índice de desempenho construído com base em torque, rotação do motor, potência do MGU-K e impacto do conjunto no tempo de volta.
O ponto central é que o sistema vai observar exclusivamente o desempenho do motor de combustão interna (ICE) em relação ao melhor fabricante do grid. Se um motor estiver ao menos 2% abaixo do mais competitivo, o fabricante poderá se tornar elegível ao ADUO.
A FIA também ressaltou que não fará uma correção artificial de performance. Em outras palavras, não haverá equalização esportiva direta, como redução de peso ou mais fluxo de combustível. O que existirá será margem extra de desenvolvimento técnico e econômico.
Mudanças no calendário alteram blocos de avaliação
O regulamento original previa três blocos de seis corridas para medir o desempenho dos fabricantes. No entanto, o cancelamento das etapas do Bahrein e da Arábia Saudita obrigou a FIA a redesenhar esse cronograma.
Agora, o primeiro período de análise inclui Austrália, China, Japão, Miami e Canadá. O segundo vai de Mônaco à Hungria, enquanto o terceiro será de Holanda ao México.
A federação informou ainda que os primeiros resultados serão comunicados em até duas semanas após o GP do Canadá. A partir daí, os fabricantes enquadrados nos critérios poderão começar a introduzir melhorias já na corrida seguinte.
Quanto cada fabricante poderá receber
A ajuda prevista pelo ADUO está ligada ao tamanho da desvantagem técnica. Em vez de premiar diretamente com vantagem esportiva, a FIA permitirá que determinados gastos de desenvolvimento sejam excluídos do teto destinado aos fabricantes de motores.
Os valores seguem uma escala progressiva:
Entre 2% e 4% de déficit: até US$ 3 milhões
Entre 4% e 6%: até US$ 4,65 milhões
Entre 6% e 8%: até US$ 6,35 milhões
Entre 8% e 10%: até US$ 8 milhões
Acima de 10%: até US$ 11 milhões
Somente em 2026, fabricantes com desvantagem superior a 10% ainda poderão antecipar até US$ 8 milhões de períodos futuros para acelerar a recuperação.
Quantas evoluções extras serão liberadas
O documento também esclarece um dos pontos mais importantes do sistema: o número de melhorias de homologação disponíveis para cada fabricante elegível.
Quem estiver entre 2% e 4% abaixo do melhor motor receberá uma atualização extra na temporada atual e outra para 2027. Já quem ultrapassar 4% de desvantagem terá direito a duas evoluções extras no ano em curso e mais duas para a temporada seguinte.
A FIA deixou claro que essas concessões não são ilimitadas e não se acumulam automaticamente dentro da mesma temporada. O fabricante só recebe o pacote adicional na primeira vez em que cumprir os critérios naquele ano.
Isso significa que, se uma montadora for enquadrada logo na primeira análise de 2026, não ganhará novos bônus nas verificações seguintes do mesmo campeonato. Além disso, se um fabricante não for considerado apto nas duas primeiras análises do ano, ficará impedido de entrar no sistema na terceira.
O ponto mais sensível do regulamento está em 2027
Um dos aspectos mais relevantes do texto está na possibilidade de acúmulo entre temporadas. A FIA citou o caso de um fabricante que termine a primeira análise de 2026 com mais de 4% de déficit.
Nesse cenário, ele receberia duas melhorias extras para 2026 e duas reservadas para 2027. Se continuar abaixo do limite em 2027, poderia ganhar mais duas para a temporada corrente e mais duas para 2028.
Na prática, isso abre a possibilidade de um fabricante chegar a quatro evoluções homologadas durante a temporada de 2027, somando as concessões carregadas do ano anterior com as novas obtidas no campeonato em curso.
A FIA, porém, impôs uma trava importante: qualquer atualização concedida para a temporada atual precisa ser usada até a última corrida do ano, sob pena de expirar automaticamente.
Quais partes do motor poderão ser alteradas
Embora o critério de acesso ao ADUO esteja centrado no ICE, o leque de componentes elegíveis para modificação será bem mais amplo.
A FIA permitirá mudanças em partes do motor de combustão, do sistema de escape, do turbocompressor, da wastegate/pop-off, além de sensores e componentes elétricos montados no motor térmico ou no escape.
Também estarão liberadas evoluções no ERS, nos sistemas de refrigeração associados, no MGU-K, na eletrônica de controle do carro, em determinados sistemas hidráulicos, além de margem para trabalho com fluidos e lastro.
FIA tenta evitar repetição do abismo técnico de 2014
Do ponto de vista histórico, o ADUO é uma resposta direta a um trauma regulatório ainda muito vivo na Fórmula 1. Em 2014, a chegada dos motores híbridos criou um desequilíbrio tão grande entre fabricantes que parte do grid passou anos tentando recuperar competitividade.
A entidade quer evitar que a mudança de 2026 produza um novo abismo técnico logo na largada. Ao mesmo tempo, tenta fazer isso sem desmontar a lógica de homologação, controle financeiro e estabilidade regulatória que sustenta o projeto da nova geração de motores.
Por isso, o documento publicado agora tem peso maior do que um simples esclarecimento técnico. Ele funciona como um recado político e esportivo: a FIA quer preservar a competição entre fabricantes, mas sem permitir que um erro inicial condene o campeonato inteiro.
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