Demorei alguns dias para sentar e escrever esta coluna sobre a abertura da temporada 2026 da Fórmula 1. Não foi preguiça, juro. Foi pura falta de convicção mesmo.
Entre novos carros, novo regulamento, a nova transmissão de uma velha conhecida e um campeonato que promete redefinir várias coisas dentro do esporte, achei mais honesto fazer algo que jornalista raramente admite: esperar.
Preferi ouvir colegas, ler análises e absorver o que estava sendo discutido por quem esteve no circuito e por quem tem acompanhado esse novo regulamento desde os testes de pré-temporada.
E quanto mais eu lia, mais percebia que… bom… ninguém estava muito certo de nada.
A nova F1 — ou a F1 que ficou estranha?
Sobre os novos carros, confesso que concordo com boa parte das críticas. Eu acredito que o automobilismo sempre será uma equação relativamente simples: carro + piloto + coragem = limite.
Ou seja, o piloto extrai tudo do carro. O carro responde com tudo que tem. E quem faz melhor essa dança vence. Por isso ainda me soa esquisito ver um carro perder potência no meio de uma reta porque a bateria acabou.
Sim, eu sei que estamos na era híbrida, eficiência energética, sustentabilidade, futuro e todos esses termos que ficam lindos em apresentações de PowerPoint. Mas ainda assim é estranho ver um piloto sendo ultrapassado não porque errou uma curva ou porque o rival foi mais corajoso — e sim porque um tinha carga elétrica e o outro não. Isso transforma algumas ultrapassagens em algo… digamos… meio artificial.
Por falar em ultrapassagens… tivemos muitas. O que foi muito comemorado. Olha… tecnicamente existiram, mas algumas delas tinham aquele gostinho de videogame quando você usa um “boost” no momento certo.

Caos? Sim. Entretenimento? Também.
Agora, olhando pelo outro lado da moeda… Foi até divertido.
A corrida foi movimentada, teve ultrapassagens, erros de estratégia (alô, Ferrari, vocês continuam fiéis à tradição), acidentes, novatos pontuando e um certo caos generalizado.
E se existe uma coisa que a Liberty Media adora, é exatamente isso: entretenimento.
Aquelas primeiras voltas, com a troca de liderança entre Charles Leclerc e George Russell, foram praticamente um trailer perfeito para redes sociais.
Quem assiste a F1 há décadas pode ter torcido o nariz.
Mas quem chegou agora — a geração que conheceu a categoria pela série Formula 1: Drive to Survive da Netflix ou pelo filme F1 com Brad Pitt — provavelmente ficou grudado na tela.
E, sejamos honestos: esse público também faz parte da Fórmula 1 de hoje.
Ainda estou em cima do muro
A verdade é que continuo sem uma opinião definitiva sobre essa nova fase da F1.
Tem coisas que me incomodam.
Tem coisas que me divertem.
E mudanças grandes no regulamento sempre provocam esse estranhamento. Já aconteceu antes e vai acontecer de novo.
Então vou fazer algo raro no jornalismo esportivo moderno: admitir que ainda estou observando.
Ainda temos 23 corridas pela frente.
Tempo suficiente para essa nova F1 me convencer… ou me irritar definitivamente.

A volta da Globo
Outro ponto que gerou barulho foi a transmissão.
A TV Globo voltou a exibir corridas da Fórmula 1, enquanto o SporTV também participa da cobertura. Nas redes sociais — aquele manicômio digital que todos frequentamos — teve elogio, crítica, nostalgia, saudade e um pouco de drama, como sempre.
Eu fiz algo simples: fiquei alternando de canal.
Gosto muito do trabalho do Everaldo Marques. Ele é um narrador moderno, sabe se comunicar com a nova geração e conhece automobilismo — não é alguém que caiu de paraquedas na categoria.
A equipe da Globo também é cheia de profissionais competentes e o padrão técnico da emissora continua alto.
E antes que alguém pense que virei fiscal de emissora: eu também gostava bastante das transmissões da Band nos últimos anos.
Mas televisão tem uma regra básica: audiência.
E tudo indica que a Globo foi muito bem nesse primeiro teste — especialmente considerando que a corrida aconteceu de madrugada no Brasil.
Agora vem a China
A próxima parada é o Grande Prêmio da China, no Circuito Internacional de Xangai. E existe um detalhe interessante: depois dessa etapa, a própria Fórmula 1 pretende avaliar o comportamento do novo regulamento.
Dependendo do que acontecer, não seria absurdo ver alguns ajustes já para o Grande Prêmio do Japão.
Ou seja: a temporada começou, mas o experimento ainda está em andamento.
E eu sigo observando.
Quem sabe daqui a algumas corridas eu finalmente consiga decidir se essa nova Fórmula 1 é genial… ou apenas um caos bem produzido.
🔗 Junte-se à nossa comunidade!
👉 Entre no nosso grupo no WhatsApp para receber novidades, trocar ideias e ficar por dentro de tudo em tempo real.
📺 E não esqueça de se inscrever no nosso canal no YouTube para vídeos exclusivos, curiosidades e muito mais!
