A Mercedes decidiu acionar formalmente a FIA depois que Kimi Antonelli se tornou alvo de uma onda massiva de ataques online, incluindo comentários homofóbicos e até ameaças de morte, na esteira do GP do Catar de F1.
Segundo o portal inglês The Race, publicado nesta segunda-feira (1), mais de mil mensagens de ódio foram registradas nas redes sociais do piloto e da equipe alemã. O volume de comentários classificados como “graves ou suspeitos” pelas ferramentas de gerenciamento da Mercedes aumentou 1.100% em relação ao domingo anterior, em Las Vegas.
A escalada de hostilidade começou após declarações públicas de membros da Red Bull, sugerindo que Antonelli teria facilitado a ultrapassagem de Lando Norris na última volta, ao perder a quarta posição no Catar.
As suspeitas surgiram ainda durante a corrida, quando o engenheiro de Max Verstappen, Gianpiero Lambiase, comentou pelo rádio que Antonelli parecia ter deixado Norris passar. Depois, o consultor da Red Bull, Helmut Marko, reforçou a narrativa ao dizer à Sky Alemanha que o movimento havia sido “óbvio demais”.
As declarações repercutiram rapidamente, alimentando teorias de que o jovem italiano teria agido de forma deliberada para ajudar Norris na luta pelo título — o que inflamou parte da torcida nas redes sociais.
Toto Wolff, chefe da Mercedes, saiu em defesa imediata do piloto, chegando a chamar Marko de “sem cérebro” em resposta às insinuações. Enquanto isso, o ambiente digital se tornava cada vez mais tóxico.
De acordo com a Mercedes, as contas oficiais da equipe e de Antonelli foram bombardeadas por mensagens de ódio, muitas delas com conteúdo homofóbico e ameaças diretas à integridade física do piloto de 19 anos.
Diante do cenário, a Mercedes decidiu levar o caso à Federação Internacional de Automobilismo, reforçando a importância da campanha “United Against Online Abuse” (Unidos Contra o Abuso Online), iniciativa da FIA contra ataques virtuais a pilotos, equipes e demais integrantes do esporte.
Após a repercussão negativa e o volume de ataques sofridos por Antonelli, a Red Bull divulgou uma nota oficial em suas redes sociais, voltando atrás nas insinuações feitas logo após o GP do Catar.
O comunicado reconheceu que a interpretação inicial estava errada: “Comentários feitos antes do fim e imediatamente após o GP do Catar sugerindo que o piloto da Mercedes, Kimi Antonelli, tinha deliberadamente deixado Lando Norris ultrapassá-lo foram claramente incorretos. O replay mostra Antonelli momentaneamente perdendo o controle do carro, o que permitiu que Norris o ultrapassasse. Lamentamos sinceramente que isso tenha levado Kimi a receber agressões online.”
O próprio Helmut Marko também revisou sua posição. Em entrevista ao portal alemão F1-Insider, o dirigente admitiu ter julgado mal a situação no calor do momento e se desculpou com o piloto da Mercedes:
“Dei outra olhada nas imagens. À primeira vista, Antonelli poderia ter defendido a posição um pouco melhor. Na segunda vez, vi que foi um erro de pilotagem e não foi intencional.
Lamento que Antonelli tenha recebido tantas críticas online. Para esclarecer mais uma vez: ele não deixou Norris passar de propósito.”
Mesmo com o recuo público, a Mercedes mantém a decisão de apresentar à FIA o dossiê de mensagens de ódio, reforçando a necessidade de medidas mais firmes contra abuso online, discurso de ódio e ataques pessoais no ambiente da Fórmula 1.
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