O jovem finlandês Sami Pajari, da Toyota Gazoo Racing, continua voando baixo e impressionando o ecossistema do esporte a motor nas velozes e desafiadoras estradas de terra do Delfi Rally da Estônia 2026. Defendendo uma vantagem inicial de 14,7 segundos construída com maestria na sexta-feira, o piloto do bólido GR Yaris Rally1 iniciou as atividades deste sábado exatamente de onde havia parado. Em uma demonstração de pura velocidade e controle nas curvas de alta, Pajari estendeu sua impressionante sequência invicta para oito vitórias de especiais consecutivas ao bater o tempo de seu rival direto na icônica prova de Peipsiääre, ampliando momentaneamente a distância na liderança para 16,3 segundos.
A dominância do jovem talento escandinavo parecia intocável e ganhou ainda mais tração na nona especial do roteiro. Encaixando parciais milimétricas e usando toda a largura das vias de cascalho, o piloto da Toyota superou novamente o pelotão, empurrando a diferença na classificação geral para confortáveis 17,6 segundos. No entanto, o atual vencedor do rali estoniano e companheiro de marca, Oliver Solberg, tratou de provar que a batalha pelo degrau mais alto do pódio na Europa Central está longe de um desfecho protocolar, iniciando um forte contra-ataque antes do parque de assistência do meio-dia.
A resposta de Solberg e o equilíbrio mecânico da Toyota
A reação de Oliver Solberg começou a se desenhar de forma contundente a partir do décimo estágio cronometrado. Sentindo-se muito mais confortável com o comportamento dinâmico e previsível de seu carro em comparação com os severos problemas de balanço enfrentados no primeiro dia, o sueco passou a agredir as zebras e os saltos com extrema confiança. Mesmo reportando uma incômoda e persistente vibração no pneu dianteiro direito nas seções de aceleração máxima, Solberg stopou o relógio com marcas superiores, quebrando a impressionante hegemonia de Pajari e faturando as especiais 10 e 11.
Nos boxes de apoio em Tehvandi, na cidade de Tartu, as frentes de trabalho das duas tripulações da Toyota focaram no refinamento aerodinâmico para a exigente perna da tarde. Sami Pajari explicou aos engenheiros que precisou efetuar pequenas alterações na geometria e no acerto da suspensão dianteira após notar perdas de tempo nos setores finais de baixa velocidade. O líder da prova admitiu que o ritmo de Solberg foi impressionante e que precisará manter a pressão máxima nos pedais, focando em sua própria pilotagem para evitar erros bobos nas valetas que começam a se abrir no terreno.
Pneu furado e susto na carenagem ameaçam pódio de Fourmaux
O francês da Hyundai danificou a carroceria ao atingir uma barreira de proteção na SS10 e precisou guiar com um pneu furado no fim da SS11, vendo a aproximação perigosa de seu companheiro de equipe.
Briga interna na Hyundai e a escalada de Elfyn Evans
Os perigos invisíveis das estradas estonianas cobraram o seu preço do pelotão da Hyundai Shell Mobis. O francês Adrien Fourmaux, que vinha sustentando uma sólida terceira colocação e pressionando os líderes, viveu momentos de puro drama na décima especial. Ao abusar do traçado ideal em uma curva fechada, o piloto do i20 N Rally1 atingiu com violência um dispositivo de proteção de corte de caminho (anti-cut). O impacto arrancou uma seção considerável da carenagem lateral e da fibra de carbono do veículo, prejudicando o fluxo aerodinâmico e derrubando seu rendimento para o quinto melhor tempo do estágio.
Os problemas de Fourmaux se agravaram na especial seguinte, quando um pneu lento o forçou a andar no limite da sobrevivência mecânica nos últimos cinco quilômetros da SS11. Essa perda de performance foi o cenário perfeito para o atual campeão do mundo, Thierry Neuville, entrar de vez na briga pelo último degrau do pódio. Demonstrando a pilotagem cerebral que o consagrou, o belga capitalizou em cima do revés do colega de equipe e pulverizou a desvantagem na tabela de tempos, colando na traseira de Fourmaux com uma diferença de apenas 5,6 segundos.
Mais isolado na quinta colocação geral aparece o multicampeão Sébastien Ogier (Toyota). Fazendo sua primeira aparição na Estônia desde a temporada de 2021, o veterano francês optou por uma abordagem nitidamente conservadora e segura. Ogier revelou que cometeu um pequeno erro de tangência em um cruzamento na nona especial, perdendo segundos valiosos, e que preferiu adotar uma margem extra de segurança nas seções com trilhos profundos para mitigar os riscos de furos de pneu que pudessem arruinar sua coleta de pontos para o Mundial de Construtores.
Por outro lado, quem apresentou uma excelente leitura de corrida e franca evolução na folha de tempos foi o líder do campeonato mundial, Elfyn Evans (Toyota). Após amargar um discreto nono lugar na sexta-feira devido ao calvário de limpar as estradas de terra solta, o galês escalou rapidamente o pelotão, assumindo o sétimo posto logo na abertura do sábado ao superar Esapekka Lappi. Evans subiu mais um degrau para consolidar a sexta colocação após ver o promissor Mārtiņš Sesks (M-Sport Ford) perder terreno com um pneu dianteiro direito delaminado na nona especial, deixando o piloto da Ford em modo de preservação de borracha.
O desafio da tarde no sul de Tartu
A programação do Delfi Rally da Estônia reserva um encerramento de sábado brutal para homens e máquinas. As tripulações rumam para a região sul da cidade-sede de Tartu para encarar o segundo loop de especiais, que totalizará assustadores 149,60 km de trechos cronometrados sob calor intenso. O grande destaque técnico da perna vespertina será a dupla passagem pela temida especial de Kambja, um estágio longo e sinuoso com 23,74 km de extensão que promete testar os limites de refrigeração dos sistemas híbridos dos carros da geração Rally1.
No pelotão intermediário, as posições seguem consolidadas com Esapekka Lappi segurando o oitavo lugar em seu retorno às competições, seguido de perto pelo Ford Puma de Jon Armstrong em nono. Fechando o top-10 geral da prova, o herói local Robert Virves dita o ritmo da competição a bordo de seu Škoda Fabia RS, liderando a concorrida classe WRC2.

Historicamente, as segundas passagens de sábado na Estônia representam o ponto de ruptura de muitas estratégias de equipes oficiais no WRC. O solo arenoso e de cascalho fino, após a passagem repetida dos carros de tração integral, sofre uma severa transformação mecânica: o trilho ideal fica limpo, mas valetas profundas se formam nas saídas de curva e pedras afiadas de subsolo são expostas no meio da trajetória. Lidar com essa mudança brusca de aderência sem perder a velocidade de sustentação aerodinâmica é a arte que definirá o final de semana. No cenário atual do campeonato de 2026, a vantagem de 14,1 segundos dá a Sami Pajari o direito de ditar o ritmo, mas o jovem finlandês precisará calibrar a agressividade com precisão milimétrica para não ver seu sonho de vitória inédita ser pulverizado pela experiência avassaladora de Oliver Solberg.
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